Os Juízes do Puro Sangue Lusitano

Fórum da raça

Moderador: Filipe Graciosa

Os Juizes devem seguir as 3 regras sugeridas:

Concordo com as alterações sugeridas
27
90%
Não concordo com as alterações sugeridas
3
10%
 
Total de votos: 30

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CV
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#16 Mensagem por CV » terça mar 11, 2008 9:47 pm

Sentido de oportunidade/moralidade

Nos últimos dias temos assistido, por parte dos inúmeros apaixonados do “nosso” Lusitano, ao debate do tema do momento – corrupção dos juízes e fraude na inscrição no LN de animais filhos de um cavalo, supostamente, cruzado português.

Ambos os temas em nada dignificam o “coitado” do Puro Sangue Lusitano que não tem culpa de nada e que deste modo vê a sua imagem caída na lama. Os temas são melindrosos e requerem da parte de todos, sob risco da Raça cair em desgraça, um tratamento com base numa união de esforços (existirá a necessidade de outra associação??? Poucos e divididos não me parece uma receita de sucesso) e não na reincidente e tão badalada no estrangeiro, guerrilha fratricida à portuguesa (acusações em catapulta de todos os lados). A existir, esta, conduzirá a Raça para o buraco vaticinado por alguns espanhóis, que pode ser resumido na seguinte frase, “não se preocupem pois vão ser eles próprios a destruir a Raça”.

Numa altura em que se avizinhavam mudanças importantes para a Raça, tais como a adopção de novos critérios na avaliação de reprodutores, eis que, em vésperas de eleições na APSL, surgem as acusações que geraram o tema do momento. Porquê nesta altura???

Há cerca de um ano e meio circulou uma carta do Sr. Xavier de Lima que denunciava inúmeros vícios do sistema. Não foi levada a sério, quer pelas pessoas que neste momento mostram uma justificada indignação, quer pela silenciosa APSL. Porquê nesta altura???

Não defendo um clima de impunidade, mas impõe-se para bem da Raça a tomada de medidas urgentes para que situações destas não se voltem a repetir (principio da prevenção – está na base do sistema normativo de todos os países civilizados).

Que “as feridas” sejam suturadas de uma forma serena e higiénica PARA BEM DA RAÇA.

CV
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O Dr. Domingos Graciosa tem razão

#17 Mensagem por CV » quinta abr 03, 2008 3:50 pm

Será que também vamos conseguir inocular o Brasil???

A situação em Espanha, onde imperavam “vícios” de julgamento que favoreciam “nuetros hermanos”, foi alvo de medidas correctivas por parte da APSL. Ou seja a “pandemia” que já existia deste lado da fronteira (Portugal), passou para o lado de lá. Será que também vamos conseguir inocular o Brasil???

Afinal não foi pelo federalismo Ibérico que Portugal e Espanha se uniram, finalmente, Portugal e Espanha estão unidos pelo abaixamento de pontuações e estado de incompreensão colectiva. Conseguimos, finalmente! Neste momento, a Raça a nível Ibérico afunda-se numa escala de notas (pontos) que terminam em 7. Deste modo ninguém pode levar a mal o desejo do Dr. Domingos Graciosa de acabar com as pontuações, só lhe tenho de dar razão – para grande pena minha.

Será que o conhecimento destes juízes é sustentado e sustentável. A realidade, infelizmente, dita o contrário. O descontentamento gerou um clima de suspeição face a este tipo de actuação. Duas questões se colocam de imediato, face a esta intransigência de mudança no modus operandi, ambas com um pano de fundo infeliz. A primeira desculpa-os pela ignorância de não saberem os que estão a fazer (ignorância pura – não existem intenções subjacentes) a outra, bem mais grave, é a possibilidade de existirem intenções subjacentes neste tipo de actuações (não acredito). Sou adepto da primeira, isto porque, nenhum pretenso “corrupto” mantém o modus operandi depois de se descobrirem os fundamentos dos seus actos.

Sendo um caso de ignorância, temos de ir acima, isto é, ressalta a pergunta acerca da responsabilidade, quem é responsável? O que permite a prevalência deste tipo de actuação? A resposta é muito simples – TODOS OS ASSOCIADOS. Uns por conivência (de ignorância… supomos nós) outros por passividade, associada à nossa condição de povo de brandos costumes.

O lado positivo é que conseguimos acabar com o “estado de graça” de Espanha, agora apenas nos temos de nos concentrar com o Brasil. E a Raça?? Esta afunda-se em notas de escala 6 e 7.

CV
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Esclarecimento

#18 Mensagem por CV » sexta abr 04, 2008 3:38 pm

No texto acima exposto, estou a referir-me ao início das pontuações de Garanhões Lusitanos em Espanha (Trujillo - ocorreu ontem 03/04/08), pelos juízes da miséria (pontuações baixas). Com um consequente afastamento do juiz das pontuações altas (Eng.º Bento Castelhano), acerca do qual, já havia escrito o texto que abaixo transcrevo (está no forum - tópico "fraude com todas as letras").

Boa tarde,

Li com atenção o que foi escrito e realmente, se for verdade, é lamentável que tenha sucedido essa fraude (Jupiter-Tornado).

No que respeita às pontuações há algo que me espanta e que não posso deixar de referir, que é, não entendo porque motivo todos falam das pontuações elevadas e ninguém fale das pontuações baixas.

As altas elevam a Raça, a meu ver. As baixas para além de passarem um certificado de falta de qualidade aos animais da Raça, permitem espaço de manobra para elevar indivíduos tão especiais que ninguém entende o critério. Ou seja a componente didáctica das avaliações cai por terra.

Voltando às altas e há muitos anos atrás, será que os juízes da altura que atribuíam muitos pontos (casos de 89 pontos e muitos de oitenta) também eram corruptos???

Uma pergunta que eu lanço, relativamente ao universo Xavier de Lima, será que alguém tem conhecimento do número de éguas que existe nessa coudelaria??? É uma questão de consulta, registados estão 366, destes e uma vez que poucas são as éguas vendidas podem ser encontradas na coudelaria cerca de 200 éguas.

Alguém conhece as éguas?? será que num universo destes não existem animais passíveis de ter 80 pontos??? fazer uma visita à coudelaria do Sr. Xavier de Lima é algo que se impõe.

Será que a Raça vai tão mal que só os animais campeões (nem todos) tem direito a 80 pontos?? parece que nós só ficamos tranquilos com a miserável escala dos sessentas e escassos setentas - aqui não há corrupção???

Se existe alguém que aparece a subir a parada, caso seja provado que é corrupto, é um corrupto muito estúpido. É como o ladrão descuidado, deixa provas que chamam muita atenção.

Porque será que ninguém pensa na possibilidade de ser um julgamento em consciência. Acham, conhecendo bem as características do nosso povo, que é fácil dar muitos pontos e a vários criadores??? Obrigatoriamente seria alvo das atenções. E que atenções!! o início da atribuição deste tipo de pontuações provocou conversas acerca da falta de seriedade e insultos públicos. Mais um sinal de estupidez deste corrupto inimigo da Raça.

Reflexão, acho que se impõe!!

Ricardo
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#19 Mensagem por Ricardo » terça jul 08, 2008 4:06 pm

FRAUDE
Cavalo Júpiter foi para o Ministério Público


Proprietário de falso puro sangue lusitano arrisca ser julgado pelo crime de burla e falsificação de documentos

A fraude na filiação do cavalo lusitano Júpiter, propriedade de um dirigente da Associação dos Criadores do Puro Sangue Lusitano (APSL), não só é confirmada pelos resultados da investigação da Inspecção-Geral da Agricultura e Pescas como revela alguns contornos rocambolescos. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, segundo despacho do ministro da Agricultura, Jaime Silva, datado de 27 de Junho, de forma a ser alvo de instrução criminal e aponta para fortes probabilidades de troca de amostra sanguínea, realizada com o intuito de manter o cavalo Júpiter inscrito no Livro Genealógico da Raça Lusitana, reservado aos reprodutores de máxima qualidade.

Segundo as conclusões do relatório entregue à tutela, às quais o Expresso teve acesso, as investigações da IGAP foram dificultadas pelo desconhecimento do paradeiro dos cavalos Júpiter e Tornado (este segundo cavalo será “com fortes probabilidades” o dono do ADN registado em nome de Júpiter), alegadamente mortos em 2007, em Espanha. A história entra no campo da incongruência e dos ‘brancos’ administrativos quando se percebe que Tornado é dado como morto pelos proprietários em Janeiro/Fevereiro de 2007, em Espanha, numa deslocação não referenciada no Registo Nacional de Equinos (RNE). A IGAP relata que só em Fevereiro de 2007 essa saída do país é comunicada ao RNE e, já em Março, são-lhe enviados documentos do cavalo morto, de forma a legalizar a viagem.

A vida de Júpiter é toda ela pouco jupiteriana. Depois de ter sido recusado como garanhão em primeiras provas, é finalmente reconhecido como reprodutor em 2000, “sem que a APSL lhe tenha exigido uma amostra sanguínea, conforme estabelecido pela circular interna 136/1998”, escreve a IGAP. À altura, a APSL era dirigida por Pedro Ferraz da Costa.

Depois de vários e sucessivos pedidos do RNE para que lhe fosse entregue a habitual amostra de sangue de Júpiter, esta só chega em 2005, momento em que a Sociedade das Silveiras era proprietária tanto de Júpiter como de Tornado. A recolha é feita por veterinário credenciado e entregue através da Luso Pecus. Alertando para a fragilidade dos procedimentos de controlo na recolha de sangue dos reprodutores, o IGAP sublinha não ter encontrado evidências de intervenção de funcionários do Ministério no caso, mas acentua as deficiências de natureza administrativa do RNE. Por outro lado, recomenda a realização de exames genéticos posteriores aos meios-irmãos de Tornado e aos alegados filhos de Júpiter.



Selecção de juízes com novas regras

Esta classificação ficcional de Júpiter como garanhão puro lusitano é um caso isolado na perspectiva de Vítor Barros, à frente da Fundação Alter Real, a máxima autoridade equina nacional. Foi ele quem requereu a investigação do caso e agora, conhecidos os resultados, promete “rigor e intransigência no cumprimento da legislação e nas recomendações enunciadas no relatório”.

Nas recomendações finais é referido explicitamente “o estabelecimento de critérios objectivos na selecção dos juízes e na avaliação da raça”. A recomendação não pode ser mais clara: “A ausência de critérios objectivos na selecção dos juízes não permite salvaguardar o princípio da transparência que deve nortear a gestão deste património genético animal de elevado interesse nacional”. Alter Real e APSL poderão fazer de Júpiter um exemplo punitivo e um tornado capaz de apertar as malhas normativas da criação do puro sangue.

Joana Leitão de Barros
http://pesquisa.impresa.pt/search?q=cac ... 3DES295986

PSL
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A vertente comercial e a ética

#20 Mensagem por PSL » terça jul 15, 2008 9:48 am

A vertente comercial e a ética

Somos um povo do sul da Europa, com tudo o que este estado de alma implica. "Más línguas" por herança genética e cultural, saudosistas por necessidade. Quando nos afastamos, por algum motivo, do nosso "renegado" canto, eis que surge o aperto da saudade, imortalizada num fado genuinamente português. São estas peculiaridades que nos fazem e que muitas vezes nos magnetizam para a necessidade comercial envolta em ética.

Não existe qualquer incompatibilidade entre a actividade negociante/criador e a actividade de juiz da raça, segundo as normas da APSL – que fique bem claro que existe legitimidade.


Neste pressuposto vamos criar cenários puramente fictícios, em termos do exercício desta legitimidade:

1. O da ida de três juízes portugueses ao Brasil para julgar um concurso de modelo e andamentos. No local apaixonam-se por um dos animais em concurso, que por sinal se classifica como vice-campeão. Nos quartos do hotel, os três, tem um sonho no qual compram, através do Sr. H, o animal em questão e trazem-no para Portugal.

2. O caso dos amigos juízes que em concurso julgam o animal de um amigo e colega juiz criador que, motivado pela presença de um animal seu em concurso não julga essa classe por problemas de consciência.

3. O caso do juiz criador que no julgamento de uma classe na qual um dos seus animais participa, se afasta no momento da avaliação do seu animal por forma a não influenciar a classificação do mesmo.

4. O caso do juiz negociante que aconselha a compra de animais de muito boa qualidade dos quais é proprietário ou intermediário, aos seus clientes.

5. O caso do juiz criador que julga um festival onde concorrem animais da sua criação e que elimina por falta de qualidade, animais que seriam eventuais concorrentes dos seus na atribuição dos títulos de campeão ou vice campeão.


São estes casos, cenários puramente fictícios, que merecem a nossa reflexão e comentário.

CV
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Ética e a actividade de juiz oficial da APSL

#21 Mensagem por CV » quinta jul 17, 2008 10:03 am

Julgo oportuno um comentário ao texto publicado pelo forense PSL pois trata questões muito relevantes em termos de ética versus actividade de Juiz oficial da raça, algumas com um paralelismo milimétrico.

Neste contexto passo a expor o artigo 22, referente às incompatibilidades para juiz da Raça, consideradas por “nuestros hermanos” a propósito da final do campeonato de espanha (SICAB 2008), consideradas para concursos morfológicos.

Passo a expor:

Artigo 22.º

Las incompatibilidades contenidas en este articulo, deberan ser consideradas, en primer lugar, por el proprio juez a quien afecte la incompatibilidad. A tales efectos, debera el Comité Organizador comunicar a cada uno de los jueces que hayan sido designados, la composicion de las ganaderias participantes y los ejemplares inscritos.

Los jueces, una vez recibida la comunicacion pertinente del Comité Organizador, deberán comunicar a éste, se se encuentran o no afectados por algunas de las incompatibilidades previstas en este artículo. El Comité Organizador, a la vista de las manifestaciones de los jueces al respecto, procederá, en su caso, a designar otro juez.

En el mes de enero los jueces remitirán por escrito al FESCCR la declaracion de incompatibilidades que se contemplan a continuación.


Un juez no poderá juzgar en un concurso si se dan algunas de las seguientes circunstancias:

a)presentar ejemplares de su propriedad o que, aun no siendo de su propriedad, lleven su hierro.

b)Participación de ejemplares de propriedad o hierro de sus familiares hasta el segundo grado de parentesco.

c)Participación de ganaderias sobro los que haya intervenido en la compra-venta o cesión de sus ejemplares.

d)Participacion de ejemplares y/o ganaderias respecto a los que el juez haya prestado servicios económicos o profesionales dentro de las tres (3) últimas temporadas.

e)Participacion de ejemplares que hayan estado, desde la temporada anterior, en su finca, ganaderia o lugar de trabajo.

f)Participacion de proprietarios y ejemplares a los que haya prestado funciones técnicas o de asesoramiento desde la temporada anterior.

g)Participacion de ejemplares cuyos presentadores y/o jinetes tengan parentesco con el hasta el segundo grado.

h)Amistad intima o enemistad manifesta con ganaderos.

PSL
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Discrepância de critérios

#22 Mensagem por PSL » segunda set 15, 2008 9:33 pm

Discrepância de critérios

Falando da avaliação de cavalos de sela há que procurar entender as diferentes perspectivas da mesma realidade. Mais concretamente o motivo pelo qual um cavalo que é avaliado na Alemanha (morfologia e andamentos) é beneficiado em relação à avaliação que é feita na nossa tradicional concentração de garanhões PSL. A assimetria é muito discrepante!!! Contudo estamos a falar de julgamento de cavalos de sela (transversal a todas as raças - o conceito de espádua correcta é igual em qualquer parte do mundo) e não de tipo (este sim varia de raça para raça).

Procurando uma resposta objectiva para esta discrepância há que analisar as performances resultantes das duas vertentes da análise. Claramente que a realidade alemã sobressai pelos resultados desportivos evidenciados.

Porque motivo um animal em Portugal é subavaliado??? Existe um caso marcante que evidencia o que tenho estado a falar, o caso do garanhão “Sal” (Criador Frederico Bonacho dos Anjos e proprietário Internacional Gosto Equino). Este cavalo foi penalizado em Portugal e favorecido na Alemanha (estou a falar de pontuações).

Depois de expor esta situação a atenção naturalmente tem de recair nos juízes portugueses e no organismo que tutela a sua actividade a APSL. Não se trata aqui de personalizar ou sequer perseguir quem quer que seja, trata-se de responsabilização, a mesma que nos persegue a todos quando desempenhamos as nossas actividades profissionais e temos de responder perante nós e terceiros.

Existe uma regra em Portugal de desresponsabilização, baseada no argumento de ataque pessoal e conspiração (muito utilizado em política).

Porque será que em Portugal apenas se valoriza as pontuações “por baixo” e quem pontua “por alto” é corrupto???

Será que têm que ser os juízes estrangeiros a reconhecer qualidades imperceptíveis aos olhos dos nossos juízes??? A título de exemplo e noutro enquadramento, a generosidade dos juízes Brasileiros na atribuição de pontos no seu país natal. Ressalta com lógica e plena de sentido a pergunta - os lusitanos no Brasil são melhores do que os de Portugal?? É esta a imagem para a qual os juízes Portugueses tem contribuído com o seu “excesso de zelo”, apenas entendido pelos próprios.

Onde se enquadra o silêncio da APSL a todas as questões levantadas???

Quem perde com a continuidade de um sistema obsoleto???

Há que haver coragem para julgar o real e perder o medo de dar ou retirar pontos!!! Qual o receio??? Pedirem responsabilidades??? Quem julga com critério e segurança facilmente justifica o seu trabalho, tornando a actividade estendível e credível.

Há que “sair do armário” dos pontos confortáveis, os baixos que prejudicam a imagem da raça e não reflectem uma realidade estendível pela generalidade das pessoas ligadas à raça. Seguramente que a actividade de juiz não é fácil pelo que há que investir em formação e remuneração.

Como é que a APSL pode ser exigente com juízes beneméritos (não remunerados)??? Isto é muito ambíguo e tendo em conta a falta de rotatividade e a envolvência natural da amizade torna o ambiente, perdoem-me a expressão, promíscuo!!!

Faz sentido a inexistência de um código de ética para os juízes da raça???

Até quando!!???

Marcio
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#23 Mensagem por Marcio » terça set 16, 2008 10:26 am

Boa tarde a todos e os meus parabéns pela temática em discussão.

Perdoem-me por meter "o nariz" numa discussão sensível e que apesar de necessitar de respostas fortes e rápidas, deve ser tratada com a máxima delicadeza. Digo isto, quer como futuro veterinário, aprendiz de cavaleiro, futuro criador de cavalos (futuro ainda distante), mas acima de tudo apaixonado pelo PSL.

Assusta-me profundamente ver a criação de cavalos seguir um rumo como aquele que segue.

Digo isto, tendo assente dois factos evidentes, por um lado sempre houve quem fosse um verdadeiro criador de cavalos, em que procura criar OS SEUS CAVALOS, e sempre houve aqueles a quem a expressão "cridores de cavalos" já é por si só um abuso, sendo mais correcta uma expressão que existia no tempo do meu avô, que era "marchante de cavalos".

Apesar de ser novo, já vi de tudo. Cavalos cheios de defeitos de conformação e que mal sabem andar a passo serem aprovados com pontuações excelentes e cavalos fantásticos, limpos e com andamentos naturais de sonho, serem chumbados porque "é grande"(este vi eu com os meus olhos).

Na minha opinião, niguém consegue ser juiz em causa própria, e por aí importa que os juizes de provas não sejam nem criadores, nem associados a criadores.

Importa sim, que sejam bem formados e que perferência tenham um passado (académico ou não) ligado ao mundo do cavalo.

Mas, principalmente importa que todos nós não entremos numa lógica tipicamente portuguesa, que é de ir a correr copiar aquilo que os outros fazem e mais tarde é que percebemos que a "bota não casa com a perdigota".

O sistema de criação equina alemã, obedece a critérios assentes nas capacidades "inteléctuais" dos cavalos alemães e a uma equitação mecanizada e que facilmente cai na sujeição retirando por completo o brilhantismo do cavalo. Só quem nunca montou Hannoverianos com 4 anos é que não sabe o que é um cavalo que não sabe para que serve as rédeas, mas no entanto salta já 1,40m. Aponta-se e ele vai.
Eu, pergunto é isso que pretendemos para o PSL? É que esta dictomia de máquina vs artista também deve estar presente na mente de quem fiscaliza e de quem produz. E deve ser tida em conta na hora H.

Eu acho que o rumo passa por isto que estamos a fazer. Falar, debater, pensar e reflectir. Para mais numa fase tão importante como a que vivemos. Já todos pensamos na Golegã.

Como será a prova de poldros de 4 anos, este ano??
Igual ao de sempre? Ou desta vez, vão emendar a mão, porque, depois de tanta conversa, não vão querer dar nas vistas?

Vamos ver. Mas, principalmente, vamos falando.

Saudações Amigas.

José Gabriel Calção
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Juizes

#24 Mensagem por José Gabriel Calção » terça set 16, 2008 8:34 pm

Boa noite a todos, quero me identificar como tendo 48 anos, natural de Pégões, descendo de duas famílias numerosas que se dedicavam á agricultura e pecuária, de tenra idade comecei a lidar com cavalos e mulas e por influencia de um tio materno comecei a ter um gosto especial por desbastar e ensinar os animais de sua casa nas diferentes lides a que eram sujeitos.

Nessa época com o atraso a que o País estava sujeito a informação do que se passava alem fronteiras não abundava, assim o trato dos animais era aquele que se transmitia por via oral e de geração em geração sempre melhorado com a experiência adquirida, recordo com nostalgia casas agrícolas que eram escolas de arte equestre como : Rio Frio, Branco Núncio, Palha Blanco, Ribeiro Telles e muitas outras no Alentejo e Ribatejo que se salientaram pelo critério de selecção reprodução, maneio e ensino que davam as suas coudelarias, constituindo assim marcos de referência no panorama da época e que os loucos anos da revolução tratou de destruir porque isso não era sinonimo de desenvolvimento.

Quando hoje assisto ao debate acalorado em alguns casos, em outros a roçar a sobranceria e má educação, sobre aquilo que deve ser o lusitano moderno, com criadores a vilipendiarem as regras instituídas para proveito próprio, outras a terem pena de o não poderem fazer ou de não os deixarem molda-las a seu belo prazer, penso que Grandes Equitadores como o Sr João Branco Núncio, SR. Nuno de Oliveira, Sr. David Ribeiro Telles, Sr Guilherme Borba, Sr Valença Rodrigues Etc. não precisaram de nada disso para que em muitos casos de animais difíceis de se entregarem obterem o sucesso que alcançaram, que a historia documenta e que graças a Deus muitos ainda hoje podem testemunhar.

Que dizer de alguns toureiros das nossas praças que utilizam cavalos com o ferro de seus colegas e concorrentes, porque estes não se entendiam com esses animais e os venderam e por via disso permitiram sem saber que esses cavalos de renome aparecessem, só porque passou a haver entendimento entre homem e animal, não havendo necessidade de alterar o que quer que seja para haver sucesso, passa-se o mesmo no ensino nos obstáculos .

Hoje discute-se porque certo animal foi mal avaliado, outros tiveram pontuações para beneficiar o seu proprietário, num caso como noutro deve-se a falta de isenção dos juízes tudo porque são corruptos, avaliam em Portugal de maneira distinta do que noutros países, se teve determinada pontuação nos membros não podia ter só isto nos andamentos, depois li que o sistema de avaliação não permita o tão desejado progresso genético, que é necessário elevar a raça e que por tudo o que se está a passar tem que haver uma revolução.

As citações que fiz não visam criticar ninguém serviram-me para reflectir sobre o assunto e para vincar um pré-fixo alimentado pela ainda pouca experiência de vida que tenho.

Na experiência que tenho como criador, pouco me importa se um garanhão que escolho para uma égua de 74,5 pontos, têm 60 ou 80 pontos, importa sim saber se transmite à sua prol virtudes onde a égua é carente, se têm boa cabeça, se os filhos poderão vir com as características do Lusitano que quero produzir. Depois preocupo-me por dar as mães a melhor alimentação quando ainda gestantes, quando as crias aparecem idem, na desmama alem de boa pastagem e feno uma ração adequada e ainda algo muito importante se não o mais de tudo, um bom maneio


O Firme SA deu excelentes filhos, os criadores que o utilizaram preocuparam-se por ele só ter 71 pontos ? no caso do Xaquiro só foi utilizado porque tinha 80 pontos ? ou porque passava aos filhos andamentos até então pouco visto nos Lusitanos e tantos outros que só foram utilizados porque em alguns casos tiveram a sorte de calharem com um bom equitador, noutros casos por se terem distinguido nas diferentes actividades equestres e só na reforma terem sido usados como padreadores e que dizer daqueles ilustres desconhecidos que tiveram filhos famosos ? alguém sabe qual foi o critério na selecção dos garanhões para se obter dois times de lusitanos campeões do mundo de atrelagem ( na Ravasqueira e na Soc. Quinta das terras ) ? à época a pontuação não tinha qualquer importância

Por o exposto não partilho da opinião de alguns caros forenses, que acham que os juízes são corruptos que o sistema está viciado que temos que alterar tudo, antes defendo que se tem que caminhar para tornar tudo o mais claro possível, tentar melhorar é certo, mas não com revoluções, porque se assim fosse teríamos há muito um Sistema Judicial Português perfeito onde todos os Portugueses se reviam, compreendo no entanto que os criadores que vieram para esta actividade com o intuito de ganhar dinheiro ( não é esse o meu caso ) tentem por todos os meios mudar o sistema de modo que se adequo mais aos seus interesses é legitimo.

Como não tenho por habito intervir, creio que hoje exagerei, a todos os meus melhores cumprimentos


José Gabriel A. Calção

PSL
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#25 Mensagem por PSL » terça set 16, 2008 11:07 pm

Relativamente à temática que rodeia a criação alemã devo salientar que ela vive de resultados, qualquer cavalo que apresente resultados acima da média é cobiçado e integrado como reprodutor. O número de reprodutores é exíguo comparativamente ao número de éguas, o que reflecte a grande pressão de selecção exercida sobre os reprodutores masculinos, contrariamente à situação portuguesa em que a relação garanhão/égua é marital.

Tem constituído matéria de selecção na Alemanha a inteligência e a docilidade dos animais e acreditem que apesar do que por cá se conta, “os cavalos deles são malucos”, a generalidade dos animais não é representativa destas características. Existem linhas mais complicadas e linhas mais fáceis, isto aplicado a animais com uma força anímica superior aos nossos, onde tudo salta cá para fora com mais evidência.

Devo salientar que a adaptação é a palavra mais correcta para definir o que se pretende relativamente ao modelo de criação alemã, acrescentando que os seus pontos fortes assentam na sistematização, transparência e trabalho contínuo. À semelhança de termos sido pioneiros na conquista de novos mundos, fomos igualmente pioneiros na selecção pela função, nos anos 30, pela competência do Dr. Furtado Coelho na Estação Zootécnica Nacional (EZN). De 1934 a 1973 foi feito um trabalho notável na EZN que quase nunca é referido e muito poucas vezes elogiado. Este trabalho pode igualmente constituir um modelo em termos de elevação da criação pela performance em detrimento da selecção pelo modelo e andamentos tão intimamente ligado à estética, mas de futuro duvidoso.

No que diz respeito aos juízes, já cá ando à muitos anos e vi o resultado da mudança de gerações. A situação piorou, ou seja aqueles que criticavam os “velhos” acabaram por enveredar pela anarquia (existe muita falta de regulamentação por parte da APSL - ex. não existe um código de ética para juízes) inconsequente, que nalguns casos se elevou acima do institucionalmente previsto. Com isto não quero dizer que no passado não tenham havido algumas situações pontuais semelhantes, contudo o clima era de entendimento relativamente aos critérios aplicados.

Ninguém quer germanizar a raça, contudo a técnica e o conhecimento impelem-nos a uma aproximação de critérios. Os criadores devem estar esclarecidos no campo técnico-científico e aplicarem o seu génio criativo (arte) envolto em conhecimento.

Os juízes devem ter formação académica na área de melhoramento animal. Porquê?? Um povo com pouca apetência para a disciplina, aliada ao desconhecimento acerca de determinadas matérias, implícitas num plano de melhoramento credível, vai consequentemente gerar resistências. Pela experiência do futebol sabe-se que um resistente no balneário, numa equipa excepcional, pode transformar o excelente em medíocre.

Existem pessoas excepcionais que sem formação, tem uma sensibilidade e apetência para o conhecimento invulgares, contudo as excepções, por ínfimas, não podem constituir regra. Este raciocínio aplica-se a criadores e equitadores, ou seja há que procurar estender a técnica a quem a natureza não dotou de genialidade. A título de exemplo, o que o Mestre Nuno de Oliveira conseguia de um cavalo é um símbolo de impossibilidade para 99,9% dos cavaleiros. Até um Génio sentiu a necessidade de ler muito para adquirir técnica.

As pontuações devem existir, são um referencial como factor de distinção, contudo aceito que esta opinião não seja partilhada por todos. A este respeito concordo na integra com a possibilidade de criação de dois livros para o Lusitano, conforme ouvi numa conversa, que vai ao encontro da vontade dos que são a favor das pontuações e dos que não concordam. Um livro para animais não pontuados com emparelhamentos autorizados, sem a obrigatoriedade de pontuar os animais e outro para animais pontuados. Os animais pertencentes aos dois livros tem a possibilidade de trânsito entre livros ao abrigo de determinadas regras. Faz sentido e é consensual!

Acho igualmente que o rumo passa por este debate de ideias e que estas devem ser sustentadas e sustentáveis, num ambiente de respeito pela diferença.

“Vamos ver e principalmente… vamos falando” acho uma frase bem conseguida e motivadora.

CV
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A criação sem fins económicos

#26 Mensagem por CV » quarta set 17, 2008 11:07 am

A propósito da criação sem fins económicos

Tem sido uma constante na raça o exercício da actividade sem fins económicos, desde a de criador até à de juiz. Esta é uma forma de empobrecimento económico e social, impróprio de uma sociedade que pretende aumentar o seu produto interno bruto e consequentemente o nível de vida da generalidade dos cidadãos que a constituem.

As consequências desta forma de altruismo egoísta de cariz lúdico estão à vista!!!

1. No caso dos criadores, esta postura adultera o equilíbrio das leis de mercado de uma sociedade que é capitalista. Tentando definir, num enquadramento sócio-económico, onde é que estes criadores se enquadram??? Seguramente num formato de actuação mais próximo do socialismo. Assim sendo, a sua legitimidade moral estaria assegurada se o proveito fosse o da sociedade, o que não é verdade, uma vez que não estão a beneficiar os menos favorecidos mas sim a distorcer as leis de mercado. A título de exemplo, quando alguém cria um animal com fins económicos e uma vez que tem despesas, tem mulher e filhos para sustentar e tem um gosto pela criação que apenas pode ser exercido se houver proveito económico (que “meta dinheiro em casa”), verá este direito negado por uma minoria que adultera o mercado com base na sua fortuna pessoal. Existem igualmente casos de pessoas com fortuna pessoal mas que por opção (legítima), não a querem delapidar, mas antes, assumir uma postura construtiva e progressista de investimento do seu dinheiro nesta actividade, com possibilidade de retorno. Assim sendo será justo que uma minoria, que vende animais abaixo do preço de custo (sem fins económicos), impeça o exercício de uma actividade de criação com base na lei da oferta e da procura??? Mais grave ainda, que menospreze todo um conjunto de pessoas que podia contribuir de uma forma positiva para o engrandecimento da raça, uma vez que respeitaria as leis de mercado e o princípio da retribuição pelo mérito, à custa da sua eficiência. Na minha opinião não!!!

2. No que respeita a atitude dos juízes deixo o raciocínio para os ilustres forenses.

O mérito confere sustentabilidade e é a única forma de a raça se afirmar no mundo!


Com os melhores cumprimentos,
CV

Marcio
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#27 Mensagem por Marcio » sexta set 26, 2008 3:10 pm

Após uma leitura atenta de toda a documentação presente neste tópico, não posso deixar de expressar o meu total acordo com a presente proposta de alteração de estatutos e com a sugestão da abertura de dois livros de raça. Um para exemplares pontuados e outro para exemplares pontuados, mas de Puros Sangues Lusitanos. A meu ver essa ideia surge como uma resposta para os pequenos e médios criadores que têm uma oportunidade de inscreverem em Livro Geneológico, animais que normalmente não o poderiam ser. Gostaria contudo de deixar uma questão neste ponto: como é que seria no caso de um cavalo que estivesse no livro dos não pontuados? Teria direito a ser instituido como garanhão? E as fêmeas também teriam direito a serem reproductoras?

Relactivamente à questão dos juízes, concordo plenamente com a questão levantada de serem não criadores, nomeados por sorteio e possuidores de credenciação própria ministrada, por um organismo como a APSL. Contudo, deixo a proposta de que essa formação deveria ser realizada pela Fundação Alter Real.

Deixo também outras propostas:

- Que a inscrição de cavalos para prestção de provas de inscrição no Livro seja anunciada pelos criadores logo aos três anos de idade e que os mesmos exemplares sejam sujeitos a recolhas de sangue aleatórias que deverão ser levadas a cabo pela Direcção Geral de Veterinária sob a observação dos serviços competentes da GNR (por forma a garantirem a isenção da obtenção da amostra), e que a mesma amostra deverá ser dividida em três partes: uma analizada em Alter; outra por um laboratório nacional independente e a ultima parte por um laboratório internacional de referência.

- Que os garanhões e fêmeas pontuados como reproductores obtenham inicialmente um registo provisório, estando o definitivo dependente da analise das suas descendências.

Por fim, alguns reparos..
Quando falei do sistema de criação alemão, falei numa lógica de se "importar" aquilo que tem de positivo e que possa ser aplicável ao PSL. A experiência de "outras guerras" ensina-me que vivemos num país que gostar de copiar na integra o que os outros fazem, sem tentar perceber se aquilo poderá eventualmente funcionar com a nossa realidade. Já que em boa hora alguém recordou o Mestre Nuno, também ele já na década de 60, avisava para a enorme qualidade da criação equestre na Alemanha.

Quanto à criação em si, cada criador deve ter em mente aquilo que entende por PSL, quer seja em termos de aparência (cara mais convexa ou menos convexa, ventre mais descaido ou arregaçado), funcionalidade ou pelagens, desde que não viole o pré-definido com o "estalão" da raça. Contudo, muitos dos problemas que vivemos hoje, são derivados de se querem produzir produtos facilmente vendáveis e não cavalos funcionais e de grande qualidade. Quem produz deve ter sempre um lucro.

Vamos continuar a falar e a debater. É esse o espírito.

PSL
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#28 Mensagem por PSL » sexta set 26, 2008 6:39 pm

A proposta abaixo transcrita foi enviada por um sócio à APSL.

Acho que merece uma leitura cuidada.

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Proposta de reestruturação do funcionamento do Livro Genealógico da Raça


Existe uma necessidade premente de adaptação da Raça a uma nova realidade. Apesar do efectivo da Raça ser diminuto (4 000 éguas distribuídas pelo mundo – destas 1800 estão em Portugal) e polivalente (grande qualidade da Raça), argumentos como estes não podem servir de factores de limitação às mudanças que se exigem na melhoria da eficiência da aplicação dos critérios de selecção aos nossos reprodutores. Selecção implica escolha. Contudo não podemos esquecer que existem duas facções de criadores, ambas com um significativo número de apoiantes, a defenderem a selecção dirigida a duas realidades opostas. Uns defendem a aplicação dos seus próprios critérios na escolha dos emparelhamentos, enquanto os outros optam por uma realidade oposta – a certificação e a aplicação de critérios de avaliação uniformes – que o mercado lhes está a exigir. A persistência da agregação destas realidades opostas, no actual enquadramento, nunca será consensual. Qualquer tentativa de condução destas duas realidades no actual formato do Livro Genealógico irá conduzir a clivagens nocivas para todos. As cartas do Sr. Xavier de Lima e Quinta do Figueiral constituem um espelho em formato de aviso para uma realidade à qual ninguém pode ficar indiferente (independentemente da sustentabilidade dos seus argumentos). Vive-se um ambiente de “bomba relógio” – pontualmente retardada com promessas de mudança.

Da mesma forma que não se pode criar cavalos para os quais não há mercado, não é possível sustentar uma realidade, contrária à vontade da generalidade dos criadores. A proposta em apreço, pretende a integração de argumentos tampão para as “armas de arremesso” de ambas as partes.

A polivalência (grande virtude da Raça) pode ser assumida segundo duas perspectivas antagónicas (dois Livros). Quer isto dizer que a variabilidade vai estar assegurada por duas vias (Livros A e B) conforme se encontra abaixo exposto. A Raça assumirá a diversidade com a constituição de reservatórios genéticos. Ao abrigo de regras, abandona-se um sentido único e passa a haver uma “estrada” de dois sentidos (útil em termos futuros – garantia de mobilidade/adaptabilidade da Raça) permissiva a futuras reintroduções (se o futuro o justificar).


Livro A

O acesso a este Livro:

1. Destina-se exclusivamente a animais performantes e seus descendentes.
2. Prevê-se como condicionante, que ambos os progenitores estejam inscritos no Livro A.


Qualquer animal cujo proprietário pretenda o seu acesso ao estatuto de reprodutor terá de efectuar exames radiológicos. A informação referente ao resultado dos exames radiológicos (individuais e personalizados) será incluída numa base de dados (numa primeira fase não serão divulgados os resultados - protegidos com chave dicotómica). Esta primeira fase obriga-nos a uma atitude de prudência uma vez que se vai entrar numa realidade cuja dimensão se desconhece. Só depois de conhecida a dimensão do problema poderão ser estudadas as medidas adequadas ao seu saneamento (faseado).


As fêmeas que pretendam a admissão ao estatuto de reprodutoras estão dispensadas de apresentação montadas. Serão avaliadas segundo a nova grelha de avaliação. Os machos que se encontrem no intervalo de idade, dos 2 anos até ao ano que perfaçam 4 anos, podem usufruir da admissão ao estatuto de reprodutor da mesma forma que as fêmeas. Contudo a partir dos 4 anos terão de ser pontuados montados para manter o estatuto de reprodutor.


Consideram-se performantes todos os animais pertencentes à Raça, que:

1. Se evidenciem na disciplina de ensino (Ae*);
2. Se evidenciem na disciplina de equitação de trabalho (Aet*);
3. Se evidenciem na disciplina de obstáculos (Ao*);
4. Se evidenciem no toureio (At*);
5. Se evidenciem na disciplina de atrelagem (Aat*);
6. Se evidenciem na disciplina de CCE (Acc*);
7. Sejam pontuados segundo a nova grelha de avaliação morfo-funcional (Amf1*);
8. Estejam pontuados segundo o antigo modelo de avaliação de reprodutores (Amf2*).


A atribuição da segunda e restantes estrelas, até perfazer as cinco, será uma resultante do somatório dos prémios obtidos nas diferentes disciplinas (mérito desportivo).


A importância deste mecanismo de avaliação (ponto 7 - grelha Holandesa) assenta na necessidade:

1. Da constituição de uma base de dados credível e objectiva;
2. Desta base de dados constituir um mecanismo de orientação dos criadores, na procura da compatibilidade adequada no emparelhamento desejado;
3. Da existência de uma fonte de informação numérica e escalonada, com características semelhantes a uma fotografia;
4. De reforçar substancialmente a componente didáctica inerente a um mecanismo de avaliação.


A admissão dos descendentes (ao Livro A ) de um reprodutor macho, processa-se da seguinte forma:

1. Serão admitidos quarenta descendentes por Garanhão (A*);
2. Serão admitidos cinquenta descendentes por Garanhão (A**);
3.Serão admitidos sessenta descendentes por Garanhão (A***);
4. Sem limite de descendentes admitidos, para Garanhão A**** e A*****;
5. Serão admitidos 10 descendentes para machos A. Estes machos A terão de preencher os seguintes requisitos: ser filhos de animais performantes quatro e cinco estrelas; a sua idade esteja compreendida entre os 2 e o ano em que perfaçam 4 anos; efectuarem exames radiológicos; a concessão desta licença implica a visita de uma comissão de avaliação que avaliará o animal no mesmo formato que nas fêmeas (pontuação provisória, uma vez que a partir dos 4 anos terá de ser pontuado montado para manter o estatuto de reprodutor).


Livro B

Todos os animais que se encontravam inscritos no Livro de Nascimentos deverão transitar para este Livro.

Neste Livro o processo de inscrição de animais ocorre por inerência do facto de ambos os progenitores se encontrarem inscritos no Livro B ou na situação de um se encontrar inscrito no Livro B e o outro no Livro A.

O estatuto de reprodutor será auto-proposto pelo proprietário do animal.

O proprietário fica por esta via obrigado:

1. A solicitar à APSL o acesso do animal ao estatuto de Garanhão e/ou de Égua (Brp);
2. Ao pagamento de uma taxa de acesso ao estatuto de Garanhão ou Égua (Brp);
3. À entrega de uma declaração de responsabilização (de isenção de taras a definir pela APSL – ex. integridade do aparelho reprodutor nos machos; ausência de prognatismo; etc.) emitida por um técnico.

PSL
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#29 Mensagem por PSL » domingo set 28, 2008 6:23 am

Mais uma parte da dita carta... deverá servir para pensar um pouco acerca da metéria.


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Necessidade de implementação de um código de ética para juízes da Raça

As medidas propostas pretendem ir ao encontro do restabelecimento da confiança de todos aqueles que pretenderem a sujeição do seu animal a uma avaliação oficial.
Há que ter em conta que a influência de opinião dos juízes da APSL têm um peso muito significativo na credibilidade da instituição e no funcionamento de uma economia que se pretende que seja de mercado.

A actividade de juiz deverá estar estruturada através:
1. Da cessação imediata de processos de admissão de juiz por convite;
2. Da remuneração adequada da actividade de juiz;
3. Da necessidade de habilitações académicas na área animal (acesso ao estatuto de juiz oficial da APSL);
4. Da implementação de cursos de juiz com avaliação/classificação final;
5. Da continuidade da avaliação/classificação ao longo do exercício desta actividade;
6. Da mecanização/objectivação dos seus julgamentos;
7. De um aumento substancial do número de juízes;
8. De um aumento do número de juízes nos julgamentos (diluição do erro e da preponderância de notas);
9. Da necessidade de implementação de um sistema de sorteio, na escolha de juízes por prova;
10. Da implementação de uma duração temporal da sua actividade como juiz oficial da APSL (permite a mobilidade);
11. Do impedimento, por incompatibilidade de funções, do acesso ao estatuto de juiz a todos os que: desenvolvam a actividade de criação de cavalos PSL; sejam cavaleiros profissionais; se dediquem à comercialização de animais PSL.

Algumas das medidas sugestionadas incompatibilizam a actuação da maioria dos actuais juízes, surgindo a preocupação da Raça ficar sem juízes. Esta situação pode ser superada através:
• Da criação de uma situação transitória semelhante à adoptada no termo do ano transacto para a avaliação de todas as éguas a nível nacional (recurso ao Secretário Técnico auxiliado por juízes da sua confiança);
• Nos restantes países deverá ser nomeado um responsável Técnico, devidamente auxiliado, que assegurará as responsabilidades inerentes a este processo de transição;
• Da noção que a nível nacional a população é de 10 milhões e que dentro destes haverá muitos cidadão com predisposição para adesão ao estatuto de juiz da Raça PSL baseado em regras de meritocrasia (o mesmo acontecendo nos outro países);
• Da iniciação do processo de divulgação dos requisitos para o acesso aos cursos para juiz da Raça (marketing da actividade);
• Recorrer a juízes internacionais de reconhecido mérito desportivo para dar este primeiro curso de formação, na vertente de morfologia e mecânica de andamentos;
• Recorrer a um juiz português, de reconhecido mérito desportivo, para dar formação na vertente do tipo e de todas as características peculiares da nossa Raça.

helderferreira
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Dualidade de Critérios

#30 Mensagem por helderferreira » sábado out 11, 2008 8:07 pm

Já que aqui se falou em juízes, pelo o que se está a constatar em alguns eventos realizados este ano de umas feiras para as outras tive o conhecimento de que num espaço de 1 mês ou 2, os mesmos juízes que julgaram 1 cavalo duas vez em locais diferentes uma no Sul do pais e outra no Norte, conseguíram fazer um julgamento totalmente diferente 1 do outro.
agora deixo uma pergunta:

A a morfologia que se exige para 1 apuramento da raça e melhoramento do nosso cavalo é igual em todos os locais que façam julgamentos dos cavalos pelo o que vi não é mas gostava de saber o porquê?
o verdadeiro amigo dos humanos e o cavalo

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