Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

Fórum da raça

Moderador: Filipe Graciosa

Participação na prova de Modelos e Andamentos:

Não deve ser permitida a participação em todas as idades
13
59%
Deve ser permitida a participação até aos 3 anos
9
41%
 
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Santana
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Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#1 Mensagem por Santana » domingo fev 17, 2008 4:00 pm

Alguém sabe se um cavalo Criptorquideo só de um testiculo transmite esse defeito geneticamente?

Será isso um critério sufecientemente forte para reprovar um garanhão?

Sem mais nada de momento,

Santana

TÓPICO FUNDIDO - Criptorquidismo na aprovação para Garanhões
Devido a existirem 2 tópicos com o mesmo tema, foram fundidos num só pela Administração do Fórum Cavalonet

ABC
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Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#2 Mensagem por ABC » sexta nov 21, 2008 11:06 am

Criptoquirdia (não descida de testículos para o escroto)

Relativamente à classe de três anos da feira da Golegâ, foi seu vencedor o poldro Afonso Henriques. Esta vitória constituiu uma ofensa grave ao regulamento, uma vez que este poldro é criptorquideo, ou seja o regulamento não permite a participação de animais nesta condição.

O veterinário que fez a admissão dos animais deveria ter excluído este poldro por incumprimento do estabelecido no regulamento. Caso o veterinário ou mesmo os juízes entendam que o regulamento está mal feito, devem propor a sua alteração de uma forma institucional, e não adoptar uma postura pública de infracção.

Mais uma vez assistimos a atitudes de soberba violação dos regulamentos. São atitudes como estas, longe de inocentes, que arrastam a raça para uma situação semelhante à vivida no oeste americano (finais do século 19), em que prevalecia a lei do mais forte. Caso tenham sido inocentes… bem aí estamos perante o campo da incompetência pura e dura, uma vez que se trata de profissionais qualificados (o caso de veterinário pela faculdade de medicina veterinária correspondente; os juízes oficiais pela APSL).

Não há necessidade de persistir em atitudes que são um chamariz para o Ministério Público, caso se entenda que o regulamento está mal, propõe-se a sua alteração - existem mecanismos institucionais para isso.

A raça necessita de actualização normativa, é natural, ao fim de tantos anos no mesmo normativo, tem de haver adaptação aos novos tempos (exactamente como no direito civil). Como é possível partir para uma nova regulamentação quando a velha continua a ser violada de uma forma reiterada.

Por situações como esta é facilmente entendível que singra na raça uma prevalente relutância a tudo o que constitua regras. Quem algum dia tentar impor alguma ordem moral por via de regras, vai ter um trabalho muito duro pela frente, contra esta “mão invisível” que teima em assumir, numa clara atitude de despotismo, bem ao jeito da Gomorra Napolitana, atitudes de incumprimento legal. Quem viu o filme, do realizador Matteo Garrone, com base no argumento do jornalista Roberto Saviano (o papel de quem denuncia não é fácil), facilmente entende esta forma de poder.

De quem é a culpa deste estado? De ninguém… obviamente!!! Vivemos bem melhor numa atitude de comentário fortuito, para que ninguém oiça, uma vez que podemos ter problemas. Podemos ser apelidados de destabilizadores da raça e condenados ao ostracismo. É bem mais confortável assistir a tudo da bancada.

Que Portugal é este? Todos vêm mas ninguém denuncia. Será esta a receita para elevar o país para patamares de referência?

Talvez só daqui a muitos anos se reconheça o mérito das afirmações do Dr. Domingos Graciosa. Constitui uma atitude de grande coragem, alguém que pertence ao meio, denunciar.

Pena é que poucas pessoas lhe reconheçam o mérito desta atitude de elevado nível cívico. Pensem... o que é que ele ganhou com as afirmações que fez. Noutro país talvez o reconhecimento... aqui o ostracismo.

diogomayerjr
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#3 Mensagem por diogomayerjr » sexta nov 21, 2008 4:17 pm

Muito boa tarde.

Caro utilizador ABC, não há dúvida nenhuma que o nosso cavalo é criptorquídeo, aliás, não fazemos, nem fizemos questão de o esconder. Quando o cavalo foi inspeccionado, tanto o veterinário como o secretário-geral da APSL tinham conhecimento desta situação no cavalo. O Afonso Henriques já foi visto por vários veterinários conceituados, que concluíram que o problema verificado não se resolveria no futuro. O cavalo vai ser castrado a muito curto prazo. Portanto, como sempre, somos completamente transparentes em relação àquilo que fazemos. Jamais levaríamos o cavalo à Golegã, se ele violasse qualquer regulamento. Somo íntegros em tudo o que fazemos.

Em relação à suspeita que lança: é falsa. O que o regulamento prevê, tal como nos foi comunicado pela APSL, é que só aos 4 anos de idade, os cavalos não podem apresentar criptorquidia. Desta forma, um cavalo de 3 anos que seja criptorquídeo pode entrar em concursos de modelos e andamentos. Aliás, o regulamento faz sentido, uma vez que há muitos cavalos cujos testículos descem mais tardiamente. Não é infelizmente para a raça, o caso do Afonso Henriques. Portanto, se o utilizador ABC conhecer a norma que prevê que um poldro de 3 anos que apresente este defeito não se pode apresentar a concurso, ficaria muito grato que me enviasse para o e-mail da nossa coudelaria : info@montevelho.pt

Agora outro tema. Este fórum tem servido infelizmente para muitas pessoas que têm receio de dar cara, fazerem acusações infundadas e lançarem suspeitas sobre tudo e mais alguma coisa. No fundo, só querem criar um clima de terror que em nada beneficia a raça. Se está verdadeiramente preocupado com o futuro do cavalo lusitano, fale sobre as suas ideias para a mesma. Como poderemos melhorar o esquema de selecção de garanhões? Como poderemos ser mais competitivos nas provas de dressage internacionais? Como analisar as indicações dadas pelo método holandês de avaliação linear dos cavalos?

Se tem conhecimento de situações fraudulentas, e admito que elas existam, este é não é de forma alguma, o local indicado para as fazer. Só revela uma enorma irresponsabilidade. A APSL mostrou ser célere e eficaz na forma como enviou para o Ministério da Agricultura, as recentes denúncias anónimas efectuadas, que ainda estão em fase de inquérito.

Se o utilizador ABC tivesse dúvidas sobre o concurso na Golegã, a sua obrigação era contactar imediatamente a APSL a apurar se tinha havido alguma infracção. Lançar uma suspeita num fórum, escondido atrás duma sigla, só revela que se calhar o Afonso Henriques não é o único que apresenta criptorquidia.

Porque é que não falou da excepcional qualidade dos produtos de 3 anos que se apresentaram na Feira? Porque é que não falou da forma brilhante como o Rodrigo Torres apresentou o Zimbro? Porquê? Porque obviamente é muito mais fácil destruir, mandar abaixo, do que elogiar e relevar o mérito dos que realmente trabalham em prol da raça lusitana.

Aprecie agora a beleza do nosso Afonso Henriques :

Imagem

E já agora do Almansor da Broa, que é dos Veigas mais bonitos que tenho visto:

Imagem

Obrigado

Diogo Lima Mayer (filho)

ABC
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#4 Mensagem por ABC » sexta nov 21, 2008 6:18 pm

Muito boa noite,

A resposta parece coerente, conforme é timbre da credibilidade que se reconhece à coudelaria do monte velho, constituindo mais um passo no caminho da transparência.

É do seu conhecimento, conforme prova a referência relativa há existência de mais casos de criptorquidia, da existência de uma situação análoga, neste caso com o cavalo Esculópio (não cripto mas Monorquídeo - Campeão da Feira Nacional do Cavalo em 1991). Na altura, como no presente, houve muitas conversas de bastidores acerca da “suposta” (depois de ler o seu texto remeto o assunto para o campo da dúvida) violação do regulamento.

A minha exposição é sintomática das conversas que proliferam por aí. Seria deveras interessante e benéfico para todos que fosse publicado o dito regulamento, para acabar com estas conversetas. Pesquisei no site da APSL e não encontrei!

A exposição retrata apenas a “suposta” violação de uma regra e não a coudelaria do monte velho ou o notável Afonso Henriques.

Também eu considero que apenas se deve atender a este tipo de taras, em situações que possam causar dano à raça (situação do foro reprodutivo, uma vez que existe transmissibilidade genética). No presente caso, apenas pode causar dano ao próprio animal, que em situações de esforço se ressentirá com dor (situação obviada pela castração).

Quanto à temática destrutiva, é preciso estar atento, e saber interpretar, o Sr. na sua posição e face à credibilidade que lhe reconheço, expunha-se à manifestação de algumas ideias que por natureza e conteúdo sabe à partida que vão levantar polémica do poder instituído?

O Sr. ou alguém de bom senso atrevem-se a comentar, conforme o fez, o forense PSL, um texto como o da incongruência entre classificação e prestação? Tenho a certeza que não! Todos vimos que o poldro não andou a passo, contudo foi uma sigla que o denunciou.

As siglas tem uma função mais incisiva, desde que não sejam ofensivas e mantenham a coerência, os Diogos, os Joãos, os Antónios representam outro papel que deve ir ao encontro das obrigações cívicas a que todos os portugueses deviam assumir (recorrer às instituições para resolver as suas questões).

E sim, reconheço um grande mérito à coudelaria do monte velho pelo excelente trabalho de selecção que tem vindo a desempenhar em prol da raça e do seu prestígio.

As qualidades morfológicas e anímicas do Afonso Henriques destacam-no para a possibilidade de chegar ao nível das prestações do Spartacus.

Os meus cumprimentos pela forma como expôs

ABC
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#5 Mensagem por ABC » quarta nov 26, 2008 10:48 am

Caro Filipe Graciosa,

Julgo que é prematuro estar a propor uma votação sem esclarecimento. O que estou a querer dizer é o seguinte:

1. “Ninguém” tem conhecimento objectivo do regulamento. Convinha que o regulamento fosse publicado para que seja comprovada as informações prestadas pelo Secretário-geral da APSL à coudelaria do Monte Velho. Enquanto prova em contrário remeto a violação para o campo da dúvida, atendendo à credibilidade que reconheço à coudelaria do Monte Velho, e à certeza que tenho de que a informação que prestou corresponde à realidade dos factos ocorridos;

2. Outra questão que transcende a anterior é a possibilidade de participação de animais nas múltiplas classes de modelo e andamentos na situação de cripo ou monorquidia. Relativamente a este ponto (esquecendo o que diz ou não o regulamento) não vejo qualquer objecção à participação de animais nestas condições, uma vez que estamos a falar de uma prestação de cariz desportivo e não de cariz reprodutivo, são questões distintas. Claro que não tem lógica a entrada destes animais na classe garanhões, porque aqui sim está oficializada uma conotação com a reprodução. As provas de modelo e andamentos devem servir para perspectivar (no caso das classes de animais mais novos) futuros atletas, que podem vir a ser, ou não, futuros reprodutores, segundo opção do seu proprietário (que os pode castrar se assim o entender). A nossa raça já tem a limitação de ser fechada, porquê fechar a possibilidade a animais de inegável valor, se evidenciarem, por uma limitação que é obviada com a simples castração (será que os castrados não tem valor enquanto atletas?).

O que é importante é verificar se houve violação do regulamento e em caso afirmativo apurar responsabilidades. Isto com a finalidade de acabar com as decisões “a la carte” (em cima do joelho e segundo a conveniência do momento - independentemente das normas).

As normas existem e são para ser cumpridas, caso se entenda que não estão bem, propõe-se de uma forma institucional e fundamentada a sua alteração. Espero para o bem da raça que o Secretário-geral tenha decidido com base no regulamento.

Contudo é bom que se inicie a cultura de olhar os elementos que compõe a raça apenas como atletas, independentemente da função reprodutiva. Por este mesmo motivo as nossas éguas apenas tem escoamento (venda), maioritariamente enquanto reprodutoras e não como atletas, capazes de atingir patamares, exactamente iguais aos dos machos. A desejada liberalização da transferência embrionária virá obviar o problema da limitação reprodutiva das éguas atletas.

A raça tem de passar a ser encarada numa perspectiva eminentemente funcional, independentemente de um mau trabalho do sistema que rege o julgamento das provas de modelo e andamentos, de onde convenhamos, tem saído um número muito limitado de animais funcionais. Esta é uma realidade objectiva!

Vamos aguardar a publicação do regulamento, para não cairmos no erro de estar a tratar falsas questões.

Domingos Graciosa
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#6 Mensagem por Domingos Graciosa » quarta nov 26, 2008 11:05 am

ASSUNTO: X CONCURSO OFICIAL DE APRESENTAÇÃO DO CAVALO DE SELA DA FEIRA INTERNACIONAL DO CAVALO LUSITANO – CAVALO “ AFONSO HENRIQUES “

C.C: FNC, APSL, Fundação Alter Real, Info@montevelho.pt

Caríssimos,

De acordo com o regulamento do XLIX CONCURSO NACIONAL OFICIAL DE APRESENTAÇÃO DO CAVALO DE SELA DA FEIRA NACIONAL DO CAVALO ( Modelo e Andamentos ) e X CONCURSO OFICIAL DE APRESENTAÇÃO DO CAVALO DE SELA E DA FEIRA INTERNACIONAL DO CAVALO LUSITANO , que anexamos, e de acordo com o seu art. 3.º - Admissão, é referido que só são admitidos ao concurso animais com “ ausência de sinais de doença, (...) e que satisfaçam as condições de admissão no Livro de Reprodutores “!... e nas duas secções do art. 6.º, ( Animais de 3 e 4 anos ), só poderão ser admitidos cavalos inteiros.

De acordo com o Anexo I – Portaria n.º 387/77 de 25 de Junho – Normas Regulamentares do Decreto-Lei n.º 37/75 de 31 de Janeiro, do Livro Genealógico do Cavalo da Raça Lusitana ( Condições de Admissão ao Livro de Reprodutores ) 18.ª - Sob o ponto de vista zootécnico, exige-se que os reprodutores sejam de raça pura e que possuam idade e capacidade reprodutiva convenientes; e exigem ainda no seu ponto 3. c) Integridade morfofuncional dos órgãos genitais.

Conforme o léxico veterinário, Criptorquidia ( não-descida dos testículos para o escroto ) é uma doença nos equinos considerada de origem hereditária, que provoca esterilidade e agressividade. É uma doença transmissível e por isso os seus portadores não podem ser inscritos no Livro de Reprodutores do Cavalo de Raça Lusitana.

Concluindo, o “ Afonso Henriques “ é um cavalo portador de uma doença hereditária grave, previamente conhecida pelo seu Produtor e actual Proprietário e alegadamente conhecida pelo Júri de Admissão do X CONCURSO OFICIAL DE APRESENTAÇÃO DO CAVALO DE SELA DA FEIRA INTERNACIONAL DO CAVALO LUSITANO realizado de 9 a 11 de Novembro de 2008 na Golegã, tendo sido admitido a concurso violando expressa e inequivocamente o regulamento do mesmo, nomeadamente o seu art. 3.º, n.º 6.

Consequentemente, o cavalo deverá ser desqualificado neste concurso, assim como em todos os anteriores, em que tenha sido indevidamente classificado e admitido a concurso.

Com os melhores cumprimentos
Domingos Graciosa


ANEXOS: Regulamento do Concurso, APSL
Regulamento FNC
Regulamento do Livro Genealógico da Raça Lusitana – Anexo I
Descrição de casos de criptorquidismo em equinos de raça Quarto de Milha em Portugal
Anexos
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Domingos Graciosa
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#7 Mensagem por Domingos Graciosa » quarta nov 26, 2008 1:58 pm

Resposta da Feira Nacional do Cavalo
Exmo. Senhor
Dr. Domingos Graciosa,

Acabo de receber o seu e-mail que tomei em consideração e muito lhe agradeço.

A sua luta pela clarificação e pela transparência dos actos e dos factos relativos à criação do Puro Sangue Lusitano, é meritória!
A minha qualidade de Presidente da Feira Nacional do Cavalo, após este e-mail, obriga-me a abrir um inquérito sobre a situação por si descrita.

Serão questionados os Senhores Médicos Veterinários, ao serviço da Feira, que admitiram o referido cavalo, e o Senhor Presidente do Júri, sendo óbvio também, o dever de auscultar o Senhor Presidente da APSL.

Do desenvolvimento do processo dar-lhe-ei conhecimento, esperando desde já que a sua conclusão seja a ideal para a dignificação da criação do cavalo PSL, em Portugal.

Aceite, Meu Caro Domingos, um abraço,
do
José Veiga Maltez

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Wasserluft
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#8 Mensagem por Wasserluft » quarta nov 26, 2008 6:59 pm

Bem mais uma vez volto a perguntar qual o motivo da não identificação dos Forenses...
A casa Monte Velho têm vindo a desenvolver um trabalho que eu acho excepcional e o Afonso Henriques é a viva Prova do mesmo.
Vai ser capado... triste noticia que foi dada pelo Diogo que eu aproveito desde já para Cumprimentar e apresentar as minhas desculpas por não ter ido fazer uma visita na Feira. Para o Ano não falha :lol:
Deixo aqui um apelo para a Identificação dos Forenses , Um Abraço para o Filipe e os Parabéns pela Festa que esteve do Melhor ainda bem que a casa do meu sogro fica na Rua do Lusitanos lol ...

E para Finalizar os Maiores Cumprimentos para o Dr Veiga Maltez que, como sempre, demonstra uma Integridade ímpar.

Abraço a todos e deixo aqui umas fotos de um Cavalo que apesar de ser "Rancolho" nunca me deixou mal em lado nenhum ...
E como dizem lá no centro Equestre "Bem podia ser um cavalo da JAE !!"

Golegã 2008 Feira do cavalo
Imagem

Seixal 2008 Feira das Descobertas
Imagem

Não o castrei nem nunca o vou fazer ...
"The Horse´s reward to be able to communicate with the predator and cause him not to be predatory" Monty Roberts
"Pedir constantemente ,contentar-se com pouco,Recompensar muito. " Beaudant

Domingos Graciosa
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#9 Mensagem por Domingos Graciosa » quinta nov 27, 2008 1:53 pm

Resposta de Francisco Cancella de Abreu

Código: Selecionar todos

Caro Domingos

Na minha opiniao é bastante mais grave que o sistema permita que o Afonso Henriques tenha ganho com um passo insuficiente, que qualquer outro problema de saude  Já que isso constitui a oficializaçao da desinformaçao para os potenciais utilizadores, tal como já aconteceu com o Violino do Manuel Braga totalmente imontável e irregular a galope contudo recebeu notas de 6 7 e 8 já tem dezenas de filhos muito possivelmente tambem bastante imontáveis, Actualmente para fazer a raça Lusitana subir de nível há que dar especial atençao ao que lhe falta: Passo é um andamento em carencia óbvia, pelo que deveria ter coeficiente 3 bem como os juízes deviam ter formaçao para avaliarem os andamentos para nao caírem no ridiculo dos Violinos e outros. O actual sistema permite atribuir prémios importantes e até titulos de Campeao a cavalos que á partida nao podem ser melhoradores isso é para mim a verdadeira preocupaçao pela irresponsabilidade

O Diogo Mayer diz que foi autorizado verbalmente pelo secretário Geral a participar Devo dizer que em 2007 tambem a Herdade das Figueiras recebeu dele autorizaçao verbal para participar com um cavalo de 5 anos na provas P do festival, já que o regulamente omitia idades. Lamentávelmente o cavalo ganhou e rápidamente foi eliminado Este ano a H das Figueiras pediu que mudassem o juri de duas classes porque havia conflito de interesses: o António Simoes é admnistrador da FAR e os juizes sao funcionários Não quizeram entender acharam mesmo que havia excesso de ética, pelo que o António teve de retirar esses animais de concurso Como vês da APSL já nada me espanta.

Um abraço FCA

DCP
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#10 Mensagem por DCP » quinta nov 27, 2008 4:47 pm


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areffoios
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#11 Mensagem por areffoios » quinta nov 27, 2008 5:06 pm

Após ter lido o regulamento apresentado pelo Dr. Domingos Graciosa e a declaração do Eng. Manuel Campilho, parece-me que a conclusão que se tira é a seguinte:

- Se um cavalo com 3 anos ainda não atingiu a idade adulta e se se considera que a descida dos testículos pode acontecer até aos 4 anos (quando o cavalo teoricamente atinge a idade adulta), parece-me óbvio que até aos 4 anos a qriptoquidia não pode ser considerada uma doença grave!

Daqui concluo que a participação do Afonso Henriques é perfeitamente legal, com tem sido até à data nos recintos onde se apresentou!

Aproveito também para deixar os meus parabéns ao Arq. Lima Mayer pelo animal que apresentou a concurso.

Alexandre Reffóios

PSL
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#12 Mensagem por PSL » quinta nov 27, 2008 11:34 pm

Sem querer assumir qualquer posição, parece-me que:

1.Existe um desacordo quanto à interpretação de um regulamento e que esta, está a assumir contornos que remetem o assunto para o campo da credibilidade institucional. Qual a forma legalmente prevista para ultrapassar a divergência?

2. Foi emitido um parecer institucional pelo Presidente da APSL. É este o procedimento que está consignado no regulamento para a resolução de casos de desacordo quanto à interpretação do regulamento?

3. Em caso afirmativo a situação está resolvida e o parecer é vinculativo, em caso negativo há que procurar a cabimentação legal que se adeqúe à resolução deste diferendo.

4. A APSL tem juristas com capacidade técnica para emitir um parecer que vá ao encontro da resolução do caso.

Concluindo: a questão levantada deve ser remetida para um campo exclusivamente jurídico.

ABC
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#13 Mensagem por ABC » domingo nov 30, 2008 4:20 pm

Acho no mínimo caricato, nos dias que correm, que situações como esta sejam tratadas com frases deste tipo, "O Afonso Henriques é um cavalo júnior. Só aos 4 anos, passa a ser considerado adulto. E também só com essa idade, tem de ter os testículos em baixo. Logo não houve irregularidade alguma.", proferida pelo Presidente da APSL.

Será esta a forma institucional de cumprimento de um regulamento que refere, no seu art. 3.º, que só são admitidos ao concurso animais com " ausência de sinais de doença, (...) e que satisfaçam as condições de admissão no Livro de Reprodutores "!... .

Não me parece que um animal que não apresenta testículos aos três anos, possa estar em condições de ser inscrito no Livro de Reprodutores. A justificação do Presidente da APSL remete o assunto para o campo da futurologia e foge de uma maneira descarada ao âmbito do que se encontra escrito no regulamento.

É uma questão de violação de um regulamento que, não pode ser encarada numa perspectiva que contorne o que se encontra previsto. Se o regulamento devia acautelar determinadas situações de cariz específico (como as referidas pelo Presidente da APSL), ou se está mal feito (quanto a mim está – a componente reprodutiva de um animal não deve estar conotada com a sua prestação enquanto atleta), esse é um assunto que deve ser remetido para uma proposta de alteração do regulamento.

No passado já ocorreram situações de impedimento de participação de animais a concurso por este motivo (cripto ou monorquidia), bem como a permissão de outros (caso do Esculópio – campeão da FNC em 1991 – que era monorquideo) como evidencia o presente caso.

Segundo o que o Diogo Lima Mayer (filho) escreveu no fórum da cavalonet, "Quando o cavalo foi inspeccionado, tanto o veterinário como o secretário-geral da APSL tinham conhecimento desta situação no cavalo".

Perante tudo isto a minha perplexidade é total. Como é possível que o secretario-geral e o Presidente da APSL enveredem por caminhos de ambiguidade legal!?

O que se retira de tudo isto é uma ausência total de trabalho da APSL de actualização do normativo, que inevitavelmente conduz a uma forma de exercício de poder discricionário.

Já agora, qual será a posição do Secretário-geral e a do Secretário-técnico da APSL, que naturalmente devem ser coincidentes uma vez que existe acumulação de funções? Será que sustenta o conhecimento da situação, manifestado pelo Diogo Lima Mayer (filho)?

Como será que os veterinários vão contornar a norma?

Sergey
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#14 Mensagem por Sergey » terça dez 02, 2008 7:49 am

Por tudo o que aqui li, a forma correcta de tratar os assuntos relativos ao cavalo Lusitano, parece ser a da cobardia do anonimato que os não responsabiliza nas muitas patacoadas que proferem com a propriedade de grandes entendedores, que vão desde a sapiência em criar cavalos aos profundos conhecimentos médico-veterinários passando até pelas leis, regulamentos e por tudo ao que o direito diz respeito. Tenham vergonha meus senhores não sejam cobardes escondidos e vão aos locais próprios tratar destes assuntos. Dêem a cara se querem uma melhor associação, um melhor futuro para o cavalo lusitano.

Domingos Graciosa
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Re: Participação de Cavalos Criptoquidios / Rancolhos

#15 Mensagem por Domingos Graciosa » quarta dez 03, 2008 7:45 pm

Criptorquidismo equino como uma doença do aparelho reprodutivo que pode ter consequências graves no animal afectado e na sua descedência:

O criptorquidismo consiste na descida incompleta de um ou ambos os testículos para o escroto, sua localização normal, e é uma ocorrência comum nos equinos (2 a 8% dos machos são afectados). A origem desta situação tem sido atribuída a várias causas, entre elas anomalias testiculares e desenvolvimento de aderências entre os testículos e estruturas adjacentes. Num macho normal da espécie equina a passagem dos testículos da cavidade abdominal para o escroto através do canal inguinal ocorre entre os 300 dias de gestação e os 10 dias após o nascimento.

A reprodução bem sucedida de uma espécie exige várias condições, entre elas está a eficiente produção de espermatozóides pelo macho. Nos equinos, o processo de formação de espermatozóides (espermatogénese) é um dos pontos-chave para garantir que o macho tem potencial para ser um bom garanhão.

Os testículos, ou gónadas masculinas, são os órgãos onde ocorre a espermatogénese e produção de hormonas esteróides. Nos mamíferos, a espermatogénese normal exige que os testículos se localizem na cavidade escrotal já que aí a temperatura ideal para a formação de espermatozóides é garantida (0.5 a 4-5 ºC inferior à da cavidade abdominal). Nos testículos retidos em animais criptorquídeos há consequentemente supressão térmica da espermatogénese. Embora a produção de hormonas esteróides possa ser afectada por esta condição, geralmente tal não acontece de uma forma óbvia.

A situação de criptorquidismo unilateral é a mais comum e nestes animais a fertilidade, embora afectada na sua eficiência, é mais próxima do normal já que um dos testículos é funcional. O criptorquidismo bilateral resulta em esterilidade e representa cerca de 10% dos casos. Monorquidismo (inexistência de um ou ambos os testículos) é uma patologia rara que na práctica clínica pode ser confundida com criptorquidismo, sendo necessária a exploração cirúgica da cavidade abdominal, remoção do(s) testículo(s) normal(ais) e testes hormonais para o seu diagnóstico definitivo.

Na maioria dos equinos criptorquídeos, uni ou bilaterais, a produção de testosterona pelas células de Leydig não é grandemente afectada, pelo que os caracteres sexuais secundários e o comportamento reprodutivo masculino se mantêm inalterados. Pode acontecer no entanto que estes animais sejam mais agressivos que os equinos não-criptorquídeos.
A idade do equino e localização do(s) testículos retidos (na cavidade abdominal, no canal inguinal ou no tecido subcutâneo junto ao anel inguinal externo) influenciam o tipo de lesões macro e microscópicas que estes órgãos podem apresentar. A nível macroscópico há normalmente atrofia pronunciada e aumento da consistência do tecido testicular e a nível microscópico há frequentemente hipoplasia das células da linha germinativa e, em animais idosos, fibrose das túnicas.

Na espécie equina o criptorquidismo tem uma componente hereditária dominante, pelo que os animais afectados não devem ser utilizados como reprodutores, mesmo quando um dos testículos é funcional como nos criptorquídeos unilaterais. Além dos problemas de fertilidade associados, os testículos criptorquídeos podem tornar-se neoplásicos com maior frequência, com uma maior predisposição para o desenvolvimento de teratomas, neoplasmas das células intersticiais e seminomas que podem ter efeitos devastadores para o bem-estar geral do animal, nomeadamente o desenvolvimento de metástases em órgãos das cavidades abdominal e toráccica, pelo que se recomenda a castração completa dos animais afectados. A castração pode ser efectuada por acesso inguinal, parainguinal, suprapúbico paramediano ou no flanco. Recentemente tem-se desenvolvido a castração por laparoscopia com o cavalo em estação ou em decúbito.

Sendo a definição de saúde o mais alto estado de vigor mental e físico e a de doença a de alteração a este mesmo estado, o criptorquidismo equino é uma doença ou condição patológica do aparelho reprodutivo do equino no sentido em que, como descrito, há um desvio acentuado à normalidade funcional e estrutural do(s) testículo(s) afectado(s) com consequente perda de fertilidade parcial ou total do garanhão. Ainda que o bem estar geral do animal criptorquídeo possa não sofrer alterações significativas, os testículos retidos são estéreis e como tal anormais, e nestes o tecido testicular tem um maior potencial para evoluir para tecido neoplásico podendo ter consequências graves no garanhão e na sua descendência pois, tendo o criptorquidismo uma componente hereditária dominante, a utilização de um animal criptorquídeo como reprodutor implica o perpetuamento desta situação na raça e é óbviamente desaconselhada.

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