2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

Fórum da raça

Moderador: Filipe Graciosa

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ABC
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Re: 2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

#16 Mensagem por ABC » sábado mai 15, 2010 12:09 am

Margarida,

A personificação das questões, em vez de um saudável debate de ideias é o maior vazio intelectual da humanidade. Pelo que sei NUNCA ouvi ou li nada proveniente da dita oposição, que não esteja suportado em evidências documentais. No entanto tem sido uma constante a tentativa por parte do poder instituído de passar mensagens, mesquinhas e de cariz pessoal.

O Dr. Domingos Graciosa tem sido frequentemente apelidado de bêbado e esquizofrénico, e isto cara Margarida, não é fantasia, é a pobre realidade em que vivemos. O Sr. Ortigão Costa também já sofreu na pele a difamação pública. Estes são opositores declarados que apresentaram a sua discordância com o recurso a evidências documentais.

Faço-lhe uma pergunta, como é que pretende mudar uma realidade com a qual não concorda, sem a enfrentar?

Certamente que dirá que as maneiras escolhidas não são as mais adequadas, pois os assuntos da casa resolvem-se em casa. Em teoria esta presunção está correcta, agora na prática a conversa muda de figura. Veja o que esta Direcção teve de ser contrariada, para agora, finalmente e contrariamente ao aumento do rigor aprovado na última Assembleia Geral, vir neste momento propor a aprovação de um formato de liberalização. Isto só neste país! A atitude é tão plástica que revela total ausência de coluna vertebral.

Não se esqueça que estamos perante uma realidade que transcende as nossas fronteiras, e que tudo o que aqui for decidido, vinculará terceiros. Em que crédito fica uma Direcção que decide um cenário e meses mais tarde decide outro cenário em sentido contrário. Sinceramente que a ideia que transparece é que tudo é pensado em cima do joelho, e que depois perante as contrariedades, vão tapando buracos à medida da voz da oposição.

Na Administração de uma empresa credível tal cenário justificaria a demissão em bloco do seu Conselho de Administração. Por aqui, ficam todos colados à cadeira do poder, e fazem umas concessões à medida da vontade da oposição, na ânsia de saciar o descontentamento das feras.

Margarida, o que está tão acertadamente a querer dizer é que o que tem valor é a função e não uma avaliação que concede o Direito de procriar. Devo dizer-lhe que qualquer sistema de avaliação que não tenha por base a função é um sistema obsoleto, inútil, e inadaptado ao progresso da raça.

A cultura acertada é a do cavalo funcional, independentemente de ser macho ou fêmea, castrado ou inteiro. Certamente que a Sra. no seu trabalho vale pelas suas faculdades e não pela beleza ou sexo que representa! Certamente que já sentiu na pele que o que acabei de dizer não é tão literal, e que infelizmente continua a haver descriminação sexual nos locais de trabalho.

Uma coisa é o que deveria ser e outra é o nível de aproximação a essa realidade. Se estiver muito próximo é óptimo, se estiver longe é desastroso.

Tem toda a razão relativamente à forma brutal como atacaram a Paula, foi desadequada e surtiu um efeito indesejado, que foi uma saída abrupta.

Lamento que abandone este fórum pois a sua intervenção foi positiva.

E Margarida, não havia necessidade de se identificar, apenas fiz aquele reparo por dedução e porque o seu texto revelou incoerência.

Os meus cumprimentos,
ABC

CR
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Re: 2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

#17 Mensagem por CR » domingo mai 16, 2010 11:49 am

Bom dia a todos!

Tenho acompanhado o debate no fórum a respeito do cavalo lusitano, e pelo que tenho lido fico com a sensação de que as críticas apontadas à APSL, nomeadamente no que se refere à avaliação dos garanhões, derivam de questões estruturais da associação que transcendem a actual direcção, independentemente do suposto papel que esta possa ter desempenhado no seu agravamento.

Uma rápida leitura dos estatutos da APSL revelam uma associação que deixa muito a desejar em termos de democracia interna. Há um claro desequilíbrio de poderes, com uma direcção fortíssima em oposição a uma assembleia débil que reúne de forma muito esporádica.

Para além disso, não se compreende qual a justificação para a existência de eleições. Para quê um sistema de democracia representativa numa associação da dimensão da APSL? A única justificação para a adopção deste tipo de sistema deriva da elevada densidade populacional dos Estados da actualidade, que impossibilita a democracia directa. Numa associação de pares como é a APSL, o lógico seria que todos participassem em pé de igualdade na gestão do bem comum. A nomeação para os órgãos sociais devia ser efectuada de forma aleatória, como por exemplo por sorteio. Senão, estão a assumir à priori uma diferenciação entre os seus membros, entre os que têm competência para gerir o que é de todos, e os que não têm essa competência, ou se demitem dessa responsabilidade. Estão reunidos todos os ingredientes para um “governo” de poucos em benefício próprio.

Os estatutos da APSL prevêem a possibilidade da sua alteração mediante “proposta subscrita pelo menos por vinte por cento dos associados efectivos”. Sugiro que o façam. Os problemas devem ser atacados na sua origem e não somente ao nível das suas inúmeras consequências.

Cumprimentos,

Tamão
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Re: 2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

#18 Mensagem por Tamão » domingo mai 16, 2010 10:34 pm

Finalmente uma participação inteligente, objectiva e distante da polémica. Bem Aja!

Já agora, na minha modesta opinião, parece-me que a associação não deveria ser a proprietária do Livro Genealógico. Este devia ficar na mão do estado, como propriedade nacional e não de um grupo. Penso que a associação até ganharia mais força se ficasse livre dessa responsabilidade.

ABC
Sela 04 (estribo de bronze)
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Re: 2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

#19 Mensagem por ABC » segunda mai 17, 2010 12:18 am

Caro CR,

A sua leitura do problema não podia estar mais acertada. No entanto a sua, é apenas mais uma que se junta a um parecer do Conselho Fiscal e Disciplinar, ao resultado de uma Auditoria Externa, às recomendações feitas no passado por um ilustre jurista da nossa praça, a pedido do Dr. Fontes. E qual o resultado de tanta leitura e aconselhamento? Os assuntos entram no esquecimento, e quando por algum motivo são aflorados, imediatamente se reduzem ao formato de ataques pessoais, directamente dirigidos à credibilidade dos membros da Direcção. Neste patamar, e como todos são amigos de todos, os assuntos pura e simplesmente não são enfrentados, para não se perderem amizades, entrando-se assim no laxismo do “laisser faire, laisser passer”.

Como não acredito em almoços grátis, o resto cabe ao empenho de cada um.


Caro Tamão,

Leia o que diz a wikipédia acerca do termo polémica:
Polémica é a prática de provocar disputas e causar controvérsias em diversos campos discursivos, como na religião, na filosofia, na política, na arte, na literatura, etc. É importante salientar que polémica não é sinónimo de brigas ou discórdia hostil. Muitas obras literárias nasceram num contexto de polémica, defendendo (neste caso trata-se de uma apologia) ou refutando uma determinada tese. É mesmo frequente citar-se a polémica como algo necessário para o avanço do conhecimento nestes campos. Alguns autores clássicos, como Cícero ou Santo Agostinho deixaram obras notáveis que se inscreviam em polémicas políticas e religiosas.
No entanto, repare que no contexto do problema existem factos baseados em evidências documentais. Está tudo preto no branco, acha que uma providência cautelar é declarada sem existirem forte indícios e evidências que a corroborem. É evidente que o poder instituído prefere remeter o assunto para o campo dos ataques pessoais, mas isso é outra conversa, são meras respostas ao jeito do actual formato de fazer política. Quando são apontados determinados factos, imediatamente o poder instituído tenta por todos os meios transformar questões factuais em ataques de natureza pessoal.

Uma democracia assenta na igualdade de direitos entre os cidadãos, quando esta igualdade é subvertida geram-se desequilíbrios que em vez de elevarem os melhores, acabam por elevar os amigos e os seus interesses associados. Este problema é transversal à sociedade, e a LSPA é apenas uma débil mas representativa imagem da forma de gerir os interesses nacionais.

O que me espanta no meio de tanta celeuma é o silêncio dos bons!

Os meus cumprimentos a ambos,
ABC

PSL
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Re: 2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

#20 Mensagem por PSL » segunda mai 17, 2010 8:33 am

Apenas gostaria de deixar uma achega ao debate. Pelo que li, o Dr. Frederico Bonacho, na última Assembleia Geral da LSPA, apontou inúmeras inconstitucionalidades ao regulamento dos juízes. Deste apontamento, o Arq. Arsénio Cordeiro sugeriu à actual Direcção, que a matéria deveria ser repensada. No entanto e para espanto de qualquer sentido lógico, a presente Direcção apenas alterou um dos pontos apontados, remetendo de seguida a matéria para aprovação. Devo dizer que o dito regulamento foi aprovado, inclusivamente com a abstenção do Presidente da Mesa da Assembleia Geral, que sendo advogado de profissão reconheceu a pertinência dos apontamentos do Dr. Frederico Bonacho. No entanto a este Dr. Bonacho, e talvez resultado da sua voz assertiva, já se ouviram levantar vozes do poder instituído que o apelidaram de traidor.

Caros amigos, é este o nível cultural dos diferentes intervenientes das decisões da raça. Mesmo pejada de inconstitucionalidades, as matérias são aprovadas, apenas porque sim! Será soberba, será prepotência, será estupidez? Não sei que adjectivo escolher para atitudes desta natureza. E mais caricato ainda, os associados presentes deram o seu voto. Sinceramente que não acho normal. Depois toda a gente se espanta quando aparecem escarrapachados nos meios de comunicação social, as polémicas resultantes de regulamentação mal feita. E de quem é a culpa? Certamente da dita oposição, por a descoberto a incompetência de quem faz normas desadequadas e de legalidade duvidosa. Assim nunca mais saímos desta pescadinha de rabo na boca.

Cada tiro cada melro!!!

CR
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Re: 2010-04-24 Reprovação ao livro de reprodutores em Alter

#21 Mensagem por CR » terça mai 18, 2010 7:36 pm

Olá a todos novamente,
Em termos gerais, os poderes instituídos, quando confrontados com uma crise de legitimidade, tendem a fazer pequenas cedências ou a efectuar manobras políticas de efeito mais cosmético do que real, de forma a manter o status quo, na lógica do clássico “alguma coisa tem que mudar para que tudo continue na mesma”.
Tendo isso em conta, penso que não se chega ao âmago da questão com pareceres, recomendações ou actos pontuais de criadores isolados, que têm toda a probabilidade de ser ignorados ou minimizados. O problema terá alguma possibilidade de resolução a partir da base, através de uma acção concertada dos associados, no sentido da alteração dos estatutos da APSL, verdadeira fonte de todas as crises ao pressupor uma distribuição muito desigual do poder entre os seus membros. Ou seja, é essencial que os associados abandonem a clássica postura de passividade que caracteriza o ser humano português.
O poder na APSL tem que ser redistribuído por todos os associados, numa lógica de igualdade entre pares. Acredito que a partir daí será mais fácil resolver questões concretas relacionadas com a avaliação dos garanhões, que está para a APSL como os diamantes estão para a Serra Leoa.
Cumprimentos

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