Trabalhar um cavalo à guia

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Moderador: Filipe Graciosa

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MARIA ANTÓNIA SERRA
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Trabalhar um cavalo à guia

#1 Mensagem por MARIA ANTÓNIA SERRA » quinta nov 03, 2005 3:08 pm

Boa tarde a todos,

Estive ontem no hipódromo do Campo Grande, e enquanto esperava por um artigo resolvi passear um pouco por ali. Fui até à zona onde passam os cavalos à guia. Qual não foi a minha estupefacção quando vi um Sr. a passar um cavalo à guia com: uma cabeçada, um sarrilhão e um gogue. Até aqui tudo bem, embora eu não use o sarrilhão nem o gogue, o problema a meu ver começa porque o Sr. colocou o gogue de tal forma que o cavalo tinha a cabeça colada ao peito. O animal foi obrigado a andar em circulos pequenos, a passo, trote e galope e com o cavaleiro a empurra-lo com o chicote e a puni-lo se este se desunia. Claro que o cavalo estava completamente em cima das espáduas, completamente desequilibrado e não me parecia nada feliz. Não sei se as pessoas trabalham cavalos à guia assim porque não sabem ou se o fazem por pensarem que assim colocam os cavalos. Fiquei revoltada mas não creio que se tivesse abordado o Sr. para conversar com ele sobre o assunto (trabalhar à guia) ele aceitasse a minha opinião. Afinal o que pode uma amadora ensinar a um profissional. É uma pena continuarem-se a observar comportamentos destes que em nada contribuem para a felicidade dos cavalos cada vez mais defendida pela Federação Equestre Internacional. Talvez fosse interessante trocarem-se impressões neste fórum sobre como se deve trabalhar um cavalo na guia.
Antónia Serra

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Tita
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#2 Mensagem por Tita » quinta nov 03, 2005 9:29 pm

Mª Antónia

Aquilo que contou é, infelizmente, o que mais se verifica em Centros Hípico e Picadeiros em que, os ditos profissionais, acham que o trabalho de guia é só 'pôr um cavalo a andar p'ra fente'.

Acho que esses senhores deviam aprender um pouquinho com os 'menos profissionais' e admitir que o trabalho de guia é um trabalho complexo e que requer muita experiência, muita calma e muita 'mão sabedora'.
Fiquei revoltada mas não creio que se tivesse abordado o Sr. para conversar com ele sobre o assunto (trabalhar à guia) ele aceitasse a minha opinião.
Não se pode ajudar quem não tem humildade suficiente para admitir que precisa de ser ajudado.

Infelizmente os cavalos continuam a ser menos bem tratados, para não dizer mal tratados, porque anda aí muito energúmeno que ainda não entendeu que um cavalo não é uma biciclete em que se pedala e a coisa anda!! :x :x :x
Tita

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Tita
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#3 Mensagem por Tita » quinta nov 03, 2005 9:41 pm

Só mais um 'acrescento', como se diz no Alentejo: era interessante que alguém relatasse experiências de guias, porque não é fácil encontrar alguém com esse 'calo'... :idea:
Tita

AnaE
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#4 Mensagem por AnaE » sexta nov 04, 2005 8:34 am

bom dia.

Efectivamente não me posso considerar uma cavaleira experiente, mas costumo usar com alguma frequência gogue (elástico preto que se ajusta em cima) e serrilhão para passar o cavalo à guia (não o serrilhão metálico, mas forrado a couro, à portuguesa), embora a maior parte das vezes prenda a guia ás duas argolas do bridão passando por cima da cabeça, uma vez que o cavalo já não faz força.

Uso o gogue, para obter o mesmo efeito das rédeas fixas, muscular o dorso (corrijam-me se estiver errada) e obter uma posição mais baixa e descontraída do pescoço do cavalo, e geralmente começo com 5 minutos para cada mão sem gogue, e só depois do cavalo estar "quente" trabalho mais 5 a 10 minutos para cada mão com gogue, terminando sempre o trabalho montada ou à guia com mais 5 ou 10 minutos sem gogue e rédeas soltas.

Penso que a vantagem, mas que é também problema, é o sistema de regulação, menos rigoroso comparado com as rédeas fixas.

Sobre a utilização do gogue tenho uma dúvida que gostaria de ver esclarecida se alguém souber, que é sobre os diferentes efeitos que se obtêm quando se prendem as extremidades junto às fivelas da cilha ou na barriga. Já experimentei das duas formas, e parece-me que a colocação na barriga permite ao cavalo adoptar uma posição mais descontraída e baixa do pescoço/cabeça.

boas cavalgadas e ótimo fim de semana

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MARIA ANTÓNIA SERRA
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Trabalhar o cavalo na guia

#5 Mensagem por MARIA ANTÓNIA SERRA » sexta nov 04, 2005 10:10 am

Bom dia,

Na perspectiva da troca de impressões, eu trabalho os meus cavalos à guia da seguinte forma:

Preparação:
1- Limpeza do cavalo
2 - Coloco uma cabeçada de bridão.
3 - Coloco uma cilha para passar à guia, onde posso colocar as rédeas fixas ou o chambon.
4- Coloco protecções de tendões e boletos.
5 - Coloco a guia a passar por uma argola do bridão, pela nuca e pela outra argola do bridão.

Trabalho na guia - quando faço este trabalho não monto o cavalo:
1 - Aqueço o cavalo 15 minutos a passo sem as rédeas fixas ou o chambom (posso não os usar).
2 - Troto o cavalo 1 a 2 minutos a trote e galope.
3 - Coloco as rédeas fixas ou o chambon, se for o caso.
4 - Na colocação das rédeas fixas, independentemente da altura em que as coloco procuro sempre respeitar o pescoço do cavalo. Quando este as estica para a frente o chanfro fica na vertical e o pescoço não fica partido a meio.
5 - Na colocação do chambom tenho sempre em consideração que a cabeça do cavalo deve ficar sensivelmente ao nível das espáduas (falo de um cavalo habituado a este instrumento).
6 - Trabalho o cavalo 15 minutos para cada mão pedindo transições, passo, trote e galope.
7- Procuro que este esteja equilibrado, com impulsão e se desloque com ritmo.
8 - No trabalho da guia o chicote actua como as nossas pernas e a guia recebe o contacto como as nossas mãos nas rédeas. A mão na guia pode pedir flexões e o chicote pode actuar como as pernas empurrando mais ou menos consoante a necessidade.

Isto não é fácil de fazer e muito menos de escrever, mas é este o trabalho na guia que procuro fazer com os meus cavalos. O trabalho na guia exige tanta concentração como o montado.

Não sei se a Ana se está a referir ao gogue de elástico, mas se for eu não o colocaria entre as pernas do cavalo, mas sim preso de lado às pontas do selim. Assim actua mais ou menos como umas rédeas fixas. Mas atenção, o chanfro do cavalo não deve ficar atrás da vertical. É a minha opinião.
Antónia Serra

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João dee Deus
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arilharia

#6 Mensagem por João dee Deus » sexta nov 04, 2005 11:58 am

Companheiros

Eu não sou dono,nem Mestre da Escola de Equitação Virtual.

Fui apenas o da idéia,achei piada à incongruencia.

Por isso vou dar lá a minha opinião.

saudações Marialvas
Continuo neste Fórum, agora com a intenção de ver se aprendo alguma coisa, mas com o teclado avariado... LOL...

tiago2002
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#7 Mensagem por tiago2002 » quinta out 26, 2006 11:17 pm

] boa tarde sra.tita eu queria saber se devesse por um cavalo de 2 anos a dar volteio com sela para ele se abituar ou e melhor so aos tres anos

Rogers
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#8 Mensagem por Rogers » quinta out 26, 2006 11:49 pm

Ana o que tu chamas gouge não o é, gouge é outro aparelho que se utiliza similar ao chambom, mas em vez de fixar á emboucadura vai de volta á argola. O que tu utilizas chama-se elasticos.

Há muitas maneiras diferentes de passar á guia, como todos eu tenho prferencias, mas nunca podemos esquecer do que o cavalo precisa, só se eu estiver muito preguisosa é que passo á guia sem pôr nada, pois para trabalhar um cavalo á guia convém ter onde se pode encostar ou seja uma rédea, seja ela qual for. No fundo tudo depende do cavalo e o que este necessita de trabalhar para sabermos que aparelho é que vamos utilizar. Mas há uma regra que vai para todos, nunca se aperta de modo que o cavalo é forçado a andar nessa posição, pois assim só criamos resist~encias e uma falsa posição.
Nunca desistir, por muito dificil que seja que um dia...havemos de vencer!

AnaE
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#9 Mensagem por AnaE » quinta out 26, 2006 11:58 pm

Olá Rogers,

elasticos? Sempre houvi chamar gogue... ou gogue elástico... embora eu saiba que o gogue original não é assim. Provavelmente até poderá ter outro nome qualquer... mas para comprar tenho que pedir assim... senão não percebem o que eu quero.

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João dee Deus
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#10 Mensagem por João dee Deus » sexta out 27, 2006 12:14 am

Tiago

Vejo que chegaste agora ao nosso forum,e que te sintas bem por aqui é o que nós desejamos

Claro que podes por a sela em cima do poldro sem apertar muito a cilha.

Podes tambem passá-lo à guia mas por pouco tempo,(10 minutos) e duas vezes por semana em piso macio.

Podes levantar-lhes as mãos..depois os pés...empurrar-lha a garupa e ele ceder para o lado que empurras,empurrá-lo pelo peito e ele andar para trás,dependurares-te levemente no pescoço...enfim ..uma série de coisas que aumenta a vossa ligação e amizade porque eles gostam que lhes façam coisas destas.

Felicidades e saudações marialvas
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luis pedro
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#11 Mensagem por luis pedro » segunda out 30, 2006 4:20 am

Olá Ana,

O Chambon ou o Gögue elásticos são uma "modernice" com efeitos um pouco perversos.

Como saberá o contacto correcto baseia-se na aceitação da "mão" do cavaleiro por parte do cavalo, para que isto aconteça, a mão tem de "aprender" a resistir (quando pede/exige ou simplesmente para se opor) e a ceder (imediatamente que é obtido o efeito desejado), o que acontece com as "martingalas" elásticas é exatamente o contrário, cedem quando o cavalo resiste e manteem-se em tensão quando o cavalo cede.

Luis Pedro

AnaE
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#12 Mensagem por AnaE » segunda out 30, 2006 7:45 am

ups... Luís...sinceramente agora não consegui visualizar mentalmente esse efeito perverso dos "instrumentos" elásticos :( Se quizer ser mais ilustrativo agradeço.

Por outro lado estávamos a falar de passar à guia... não há mãos na rédeas!

luis pedro
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#13 Mensagem por luis pedro » segunda out 30, 2006 8:12 am

Olá Ana,

Efectivamente quando se trabalha á guia não há mãos, excepto na guia. Mas há rédeas ou qualquer outra coisa que limita ou mantem a atitude do cavalo proxima daquela que julgamos a mais adequada para que a maquina animal funcione com a mecânica mais correcta.

Devido ao que acima referi e ao facto de as rédeas (ou que quer que seja) atuarem na boca do cavalo, a forma como actuam vai condicionar a forma como o cavalo reage e inevitávelmente ira reproduzir-se na mão do cavaleiro quando este o montar.

Os elásticos não permitem definir uma limitação precisa dada a sua natural elasticidade, em especial quando se impulsiona, e por outro lado quando o cavalo resolve deixar de resistir tem de fazer um movimento demasiado longo para sentir a cedencia.

Devido á forma como actuam, é frequente ver-se cavalos a trabalhar á guia, em aparente boa atitude (baixa e estendida) mas em completa falta de impulsão o que, a curto prazo, conduz a um cavalo completamente afundado ("em espáduas").

Luis Pedro

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João dee Deus
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#14 Mensagem por João dee Deus » segunda out 30, 2006 8:25 am

Tentando explicar..

O cavalo devido à elasticidade ilimitada do aparelho,não tem "onde se encostar",donde se for usado em conjunto com redea fixa já tem.
Isto se o cavalo precisar de gogue.
Continuo neste Fórum, agora com a intenção de ver se aprendo alguma coisa, mas com o teclado avariado... LOL...

luis pedro
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#15 Mensagem por luis pedro » segunda out 30, 2006 8:58 am

Olá João,

É isso, mas se usar as rédeas fixas, para quê o chambon elástico?

Luis Pedro

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