O caso do Estribo Prateado

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João77
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O caso do Estribo Prateado

#1 Mensagem por João77 » segunda mai 22, 2006 7:29 pm

Olá,

Sou um leigo no que toca à equitação de ensino, contudo quero aprender e enriquecer os meus conhecimentos relativamente a esta disciplina. Pratico desde Agosto de 2005 Equitação de Ensino algo que gosto e espero continuar a fazer mas sempre numa vertente amadora. E isto porque, cada vez que vou assistir a provas nacionais de equitação de ensino, saio sempre com a impressão de que tudo aquilo não passa de provas combinadas. Aquilo que eu gostaria que alguém me explicasse é qual ou quais os critérios da nomeação dos juízes destas provas. É que basta assistir a uma prova e reparar na disparidade da diferença entre as classificações que cada juíz atribui. E quando isto acontece, é mau para a equitação, para os profissionais (que fazem uma coisa e saem destas provas a pensar que fizeram outra) e para o desporto que acaba por ser pouco verdadeiro.
Acho que está na altura de profissionalizar quem ajuíza estas provas e garantir que estas pessoas não têm ligaçoes com os concorrentes, que é o que implicitamente dá a entender.
Ouvimos muitas vezes as entidades organizadoras destas provas apelarem à comunidade para irem assistir e passar o bom dia em família pois a entrada é livre e o espectáculo é para todas as idades, mas enquanto a classificação das provas suspeitar a "arranjinho" não haverá ninguém a assisitir e cada vez que houver provas olímpicas só vamos lá denegrir a imagem da equitação portuguesa. É que em Portugal somos os maiores pois conhecemos os juízes a, b e c, mas nas provas olímpicas já não conhecemos os juízes e não nos apercebemos porque é que a prova correu tão mal.
A mensagem que eu vos deixo é que sejam mais profissionais a bem dos atletas e do desporto nacional.

No futebol tivemos o apito dourado parece que na equitação estamos perante o caso do estribo prateado.

Boa semana,
João

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João dee Deus
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jizes

#2 Mensagem por João dee Deus » segunda mai 22, 2006 10:53 pm

João

benviondo ao forum.

Esse assunto,e outros em outras especialidades equestres,persegue-nos para onde quer que formos.

Acho que é uma questão de cultura fundamentada em "contabilidades sociais".

Esta contabilidade só é possivel quando esperamos vantagens sem que para isso tenhamos de desenvolver força de trabalho.
"Não há almoços grátis" disse um famoso economista,e não estou com isso a aproximar-me da famosa e fácil de nominar corrupção.
Roubo e corrupção,são de muito dificil defenição,uma vez que levar uma esferográfica do emprego para usar em casa,ou favorecer um dos nossos filhos,terão cabimento nestas defenições sem que seja essa a nossa intenção declarada.

Cabe quanto a mim para tornar aceitável estes erros,qualificá-los com um bom senso que varia com o paralelo geográfico,e que terão ter a preocupação de minorar os prejuizos em terceiros.

Agora,feitos destes intencionais,para favorecer uns, e,pior ainda mas sendo um complemento e melhoramento,prejudicar outros,é,quando devidamente provado,passível de reparação da parte dos orgãos competentes.

Neste momento estou a "frequentar",porque ainda não considero que estou a competir, o Campeonato Nacional de TREC,e ao mesmo tempo estou a observar os problemas e maneira de os resolver das respectivas organizações das provas,e orgãos directivos.

Vamos andando e vamos vendo,como diz o meu amigo P.T.,e que eu acrescento,comendo e bebendo.

saudações Marialvas
Continuo neste Fórum, agora com a intenção de ver se aprendo alguma coisa, mas com o teclado avariado... LOL...

luis pedro
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#3 Mensagem por luis pedro » terça mai 23, 2006 4:05 am

Olá João77,
Benvindo ao forum.
O facto de se ter interessado pelo ensino de competição á tão pouco tempo pode justificar o desconhecimento de como se julgam as provas, no entanto isso não o impediu de fazer comparações com coisas (o julgamento das provas no estrangeiro) que manifestamente ainda conhece menos.
Como, certamente, já viu as diferenças entre os vários juizes raramente excedem os 2%, nos CDI's ultrapassam frequentemente os 5%. Se as notas dos juizes fossem todas iguais bastava um só juiz.

Cumprimentos,
Luis Pedro

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#4 Mensagem por horse_lover » terça mai 23, 2006 4:28 am

não sou grande especialista nesse assunto, mas vou dar-te um exemplo do que acontece noutra modalidade, que na equitação deve ser sensivelmente igual.

Na ginástica artística (aquela de aparelhos), há relativamente poucos atletas, e muito pouca gente está associada a este desporto. Mais ou menos como no mundo dos cavalos (em que toda a gente se conhece).

Os juízes de ginástica são poucos, e quem é juiz, normalmente também é treinador, e 99% deles (juizes) já foram atletas. De maneira que há sempre uma ligação a um clube...a um ginasta...etc.

Parece-me que no mundo da equitação acontece o mesmo. Toda a gente se conhece... E quem é juiz é também praticante...A única coisa um bocadinho diferente é que a equitação permite um certo "auto-didactismo", que na ginástica não é possível...

Se calhar não é um exemplo perfeito...mas é a maneira como eu percebo isto...

Cumprimentos!!!
Ana Patrícia
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juizes

#5 Mensagem por João dee Deus » terça mai 23, 2006 5:41 am

Neste problema de ajuizamento,todas as modalidades hipicas estão em pé de igualdade em relação à necessidade de justiça.

Como sempre só falo da minha experiencia,e por isso vos digo que só tornarei a fazer raids quando as pulsações dos Cavalos ao serem auscultados pelos Vet,possam de imediato, e em tempo real portanto, ser lidas num placar electrónico com pelo menos metro e meio de largura e a uma altura do chão de dois metros.
Faço-me entender de certeza pelo exagero do exemplo.

Era bom saber se o exemplo que o João deu,excede os tais 2 %.

Mas por outro lado se a diferença entre os juizes for realmente de 2% no máximo,poderia perfeitamente ser só um juiz.
As classificações finais dos cavaleiros diferem em maior percentagem relativa.

saudações Marialvas
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#6 Mensagem por luis pedro » terça mai 23, 2006 6:02 am

Olá João77,
Desculpa ter interrompido a resposta mas já estavam á minha espera para jantar.
Em relação á escolha dos juízes ela fica ao critério da comissão organizadora da prova tendo no entanto de se cingir á lista de Juízes divulgada pela FEP. Estes juízes são formados e regem-se segundo os regulamentos em vigor da FEP e da FEI.
Podes ler mais acerca dos Juízes e do julgamento em:

http://www.fep.pt/media/pdf/Reg.%20Dres ... 0Parte.pdf
- (Capítulo IX, Art.º 436 na pág. 26)

Cumprimentos,
Luis Pedro

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juizes

#7 Mensagem por João dee Deus » terça mai 23, 2006 6:36 am

Luis

Desconhecia,e ainda bem que nos esclareceu,que as comissões organizadoras dos eventos é que convidam os juizes.

Não será grande sinal,porque deveriam ser nomeados pela FEP.
Ou até sorteados como agora se faz no futebol.
Tudo,creio, em nome da isenção.

saudações Marialvas
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E ainda...

#8 Mensagem por João77 » terça mai 23, 2006 7:20 pm

Caros,

Como devem calcular a minha intervenção neste Fórum baseou-se nas provas que assisti este fim de semana em Azeitão. No sábado aconteceu o seguinte houve nas classificações finais uma diferença de 8% nas notas atribuídas. Das duas uma ou há favorecimentos ou então há juízes que observam factos que mais ninguém vê. Se tal acontece elogio as capacidades oculares do juíz que consegue ver para além do comum dos humanos. Mas também ouvia-se dizer entre os concorrentes que um dos juízes tem uma escola, que por sua vez um dos concorrentes treina lá. Se isto acontece, é mau para a qualidade das provas, é mau para quem pratica, é mau para quem investe em cavalos e cavaleiros e é mau para quem assiste. E não é só estar a assistir ao vivo. Porque no final os resultados passam para os media da especialidade e quem os compra acaba por estar a ler o produto de uma notícia deturpada desde o início.
Não nos podemos esquecer que a equitação é um desporto de elite, como o golf, a vela, a caça, entre outros, e há-de ser sempre de elite enquanto estas coisas não terminarem.
Acho que está na altura de haver mais isenção no desporto equestre com o objectivo de formar atletas de topo.
Sou português e custa-me saber que somos os melhores no atletismo, e porquê, porque é um desporto barato mas que não há a célebre "roubalheira" que já nos habituou noutras modalidades. E, ainda mais me custa saber isto, quando temos um dos melhores cavalos do mundo tão apreciado e elogiado noutros países.
(...) Recordo-me do indivíduo que foi representar o país numa prova equestre nuns jogos olímpicos, a prova correu-lhe mal e quando foi falar para a imprensa disse o seguinte: "Estava um pouco de vento, o que não foi muito favorável para a minha prova".
Ou eu sou muito burro no que toca a conhecimentos de meteorologia e geofísica, e após tais declarações, fiquei a pensar que o vento só soprou na prova do portugês, o que não me parece. Ou então o cavaleiro que lá foi nunca devia ter ido.(...)
Quinta-feira dia 18 há uma corrida de toiros no campo pequeno uma das figuras de cartaz é o Pablo Hermoso de Mendoza pessoa que deve o seu sucesso aos cavalos Lusitanos. Diz o seguinte "Se não fossem os cavalos lusitanos eu não teria o sucesso que tenho hoje".
Que pena eu tenho que estas palavras não sejam proferidas por um português.
Vou deixar uma sugestão aos media, procurem realizar artigos sobre estas situações, o jornalismo também passa pela investigação de casos que trazem polémica. Está na altura de deixar de ver sempre os mesmos, e incentivar outros a competirem e a disputarem as provas mano a mano.

Cumprimentos,

João

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juizes

#9 Mensagem por João dee Deus » terça mai 23, 2006 7:47 pm

João

Tens toda a razão quando deixas que se leia nas tuas criticas que há um caminho a percorrer até termos a mesma margem de "erros" que é aceite como boa,por essa Europa e Mundo fora.

Somos o unico País no Mundo que enfrenta e pega um touro de caras,e paradoxalmente,também onde as pessoas se esgueiram pelo meio das responsabilidades sociais-comportamentais,algumas adquiridas voluntariamente por meio de cursos.

A questão da apreciação/juizo, de uma prova de Dressage,deve ser a mais subtil de todas, pela brevidade dos movimentos, e a sua aproximação ao "ideal"que esse sim varia com as pessoas e não devia,é subjectiva que chegue.

O que dizes da nomeação dos juizes que proporciona "ser juiz em causa propria",decididamente está mal.

Os treinadores,mestres,parentes directos ou indirectos,patrocionadores,NÃO DEVERIAM FAZER PARTE DAS COMISSÕES ORGANIZADORAS DAS PROVAS NEM JUIZES,DE ALUNOS,FILHOS,OU PATRIOCINADOS,QUE ENTREM NESSA PROVA.

Voltamos à historia da esferográfica do emprego,sem sermos intencionais,não podemos refutar qualquer insinuação menos agradável.

saudações Marialvas
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#10 Mensagem por AnaE » terça mai 23, 2006 7:55 pm

sobre isto, devido ao meu desconhecimento do meio do ensino só queria remeter para o tópico do emprego da voz como ajuda em provas... infelizmente só fui assistir a uma, haverá cerca de um mês na Qta. da Beloura.

Um dos concorrentes empregou constantemente "incentivos" vocais fácilmente perceptíveis pelo público... foi esse que ganhou na sua categoria, e não acredito que a sua performance tivesse sido tão boa para ficar superior á dos outros concorrentes arcando com as penalizações do uso da voz.

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#11 Mensagem por Dr.Elina » terça mai 23, 2006 8:24 pm

Os treinadores,mestres,parentes directos ou indirectos,patrocionadores,NÃO DEVERIAM FAZER PARTE DAS COMISSÕES ORGANIZADORAS DAS PROVAS NEM JUIZES,DE ALUNOS,FILHOS,OU PATRIOCINADOS,QUE ENTREM NESSA PROVA.
Se assim realmente fosse, não teriamos provas cá em Portugal. O meio de Ensino em Portugal é tão pequeno :(

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ensino

#12 Mensagem por João dee Deus » terça mai 23, 2006 8:25 pm

Realmente se ele falou a prova toda,usando o que o Luis disse que era penalizado em 2 pontos por cada vez,no fim teria pontos negativos.
A descontar na proxima prova...digo eu :lol: :lol:

saudações Narialvas
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#13 Mensagem por João77 » terça mai 23, 2006 10:42 pm

Dr.Elina Escreveu:
Os treinadores,mestres,parentes directos ou indirectos,patrocionadores,NÃO DEVERIAM FAZER PARTE DAS COMISSÕES ORGANIZADORAS DAS PROVAS NEM JUIZES,DE ALUNOS,FILHOS,OU PATRIOCINADOS,QUE ENTREM NESSA PROVA.
Se assim realmente fosse, não teriamos provas cá em Portugal. O meio de Ensino em Portugal é tão pequeno :(
O seu comentário só vem provar que isto anda tudo "comprado". Se quiserem eu arranjo os juízes para as próximas provas. A experiência que eles têm de cavalos é pouca, em pequeninos andaram nos poneis da Feira Popular, mas têm muita vontade em aprender. Só temos de lhes dizer o seguinte: quando gostarem do que estão a ver carreguem na tecla 3, se conhecerem o cavaleiro carreguem na tecla 6 e se por algum motivo ele até é primo de um primo de um amigo deles carreguem na tecla 8!!!
Vamos ser claros e isentos, se isto se passa é uma vergonha seja em que modalidade for. E alguém tem de tomar medidas para que isto acabe.

Cumprimentos,

João

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#14 Mensagem por Dr.Elina » terça mai 23, 2006 11:06 pm

João77 Escreveu: O seu comentário só vem provar que isto anda tudo "comprado". Se quiserem eu arranjo os juízes para as próximas provas. A experiência que eles têm de cavalos é pouca, em pequeninos andaram nos poneis da Feira Popular, mas têm muita vontade em aprender.
Não concordo que está tudo "comprado" e se juízes tivessem pouca experiência de cavalos não haveria concorrentes.

Eu pelo menos, e falo só por mim, não irei concursar (neste momento não faço concursos) se soubesse que os juízes não têm experiência de cavalos e da disciplina, ou seja um juíz qualificado.

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TREC ---Modalidade para todos os cavaleiros

#15 Mensagem por João dee Deus » terça mai 23, 2006 11:17 pm

Sei que há qualquer coisa escrita sobre o facto de os juizes terem de exercer pelo menos uma vez por ano.
Não sei quais são as consequencias se não for cumprido este requesito.

São disposições que de certeza são do conhecimento do Luis Pedro,o qual me está a ademirar não intervir nesta troca de impressões.

Já aqui se disse muita coisa que precisaria de confirmação técnico/legislativa de alguém experiente como ele.

saudações Marialvas
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